Cesar Greco|Ag. Palmeiras
Corinthians e Palmeiras repetem a final de 2018 Cesar Greco|Ag. Palmeiras

Corinthians e Palmeiras repetem a final de 2018 Cesar Greco|Ag. Palmeiras

Corinthians confia em histórico recente e Palmeiras aposta em 'fator Luxemburgo'

Apenas dois anos após última decisão, rivais se reencontram na final do Campeonato Paulista

Ciro Campos , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Corinthians e Palmeiras repetem a final de 2018 Cesar Greco|Ag. Palmeiras

Corinthians e Palmeiras começam a decidir o Campeonato Paulista a partir desta quarta-feira, às 21h30, em Itaquera, amparados por diferentes retrospectos históricos. Pelo lado alvinegro, vale a memória recente de quem venceu seis dos últimos dez confrontos contra o rival. Já a confiança alviverde recai em um passado mais distante. O técnico Vanderlei Luxemburgo é uma espécie de amuleto quando se trata de dérbi.

A série de quatro vitórias e nenhum gol sofrido depois da paralisação levaram o Corinthians sair do status de quase eliminado para estar agora perto do inédito tetracampeonato o Estadual. O último obstáculo é o maior rival, de quem curiosamente se transformou em um grande algoz nas temporadas mais recentes. Nos últimos 30 jogos, realizados de 2013 para cá, o Corinthians ganhou 14 vezes, o dobro de vitórias palmeirenses (sete). Foram nove empates.

Para incrementar a lista corintiana, a equipe comemorou dois títulos recentes em que o Palmeiras foi vice. O mais marcante foi a última final disputada entre ambos, no Campeonato Paulista de 2018. O Corinthians venceu nos pênaltis para ficar com o título em pleno Allianz Parque. No ano anterior, o time dirigido pelo técnico Fábio Carille foi campeão brasileiro após disputa direta com o rival.

"O que o Corinthians disputa, disputa para vencer. Tivemos dificuldade de classificação, mas depois fomos por dois mata-matas e agora é contra um rival. Vamos encarar com respeito, mas vamos fazer nossa parte, porque é isso que se espera de um grande clube", afirmou o meia Ramiro. Com passagem vitoriosa pelo Grêmio, ele até comparou a rivalidade gaúcha com o Inter à tensão existente com o Palmeiras.

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O que o Corinthians disputa, disputa para vencer. Tivemos dificuldade de classificação, mas depois fomos por dois mata-matas e agora é contra um rival
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Ramiro, Meia do Corinthians

Outro componente que dá peso ao Corinthians é o técnico Tiago Nunes, um dos treinadores brasileiros mais vitoriosos dos últimos aos. Após lidar com a pressão pela queda precoce na Copa Libertadores, ele tem a chance de aumentar a coleção de conquistas da sua curta carreira à frente de times da Série A. Depois de assumir o Athletico Paranaense em 2018, Nunes já ganhou títulos expressivos como a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil.

O Palmeiras quer se contrapor à esse passado recente do dérbi com um nome que tem tradição quando se trata desse confronto. Luxemburgo já conquistou três taças em finais contra o rival. A mais especial delas foi o Paulista de 1993, quando a equipe alviverde voltou a comemorar um título após 16 anos. Na sequência, no mesmo ano veio o Rio-São Paulo e na temporada seguinte foi a vez de ganhar o Brasileirão em cima do Corinthians.

No histórico como técnico do Palmeiras, Luxemburgo enfrentou o Corinthians 17 vezes, com sete vitórias e quatro empates. O mais impressionante, porém, é o peso dele na história do clube quando se trata de Campeonato Paulista. Desde a conquista do time comandado por Oswaldo Brandão, em 1976, nenhum outro técnico fora Luxemburgo levou o Palmeiras a vencer o Estadual. Em 1993, 1994, 1996 e, por fim, em 2008, era ele quem estava no banco de reservas.

ESCALAÇÕES

O Corinthians deve manter o time utilizado na semifinal, contra o Mirassol. Após se recuperar do coronavírus, Cantillo fica no banco de reservas. Do lado do Palmeiras, o zagueiro Felie Melo sofreu uma lesão contra a Ponte Preta e deve dar lugar a Luan. Quem retorna é o lateral-esquerdo Matías Viña, recuperado de uma pancada na cabeça.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS X PALMEIRAS

CORINTHIANS: Cássio, Fagner, Gil, Danilo Avelar e Carlos; Gabriel, Éderson e Luan; Ramiro, Mateus Vital e Jô. Técnico: Tiago Nunes.

PALMEIRAS: Weverton, Marcos Rocha, Luan, Gómez e Viña; Patrick de Paula, Ramires e Gabriel Menino; Willian, Rony e Luiz Adriano. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Árbitro: Raphael Claus

Horário: 21h30

Local: Arena Corinthians

Na TV: Globo e SporTV

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Com passagem pela seleção, Cássio e Weverton mantêm tradição no dérbi

Em 103 anos de rivalidade, duelos inesquecíveis foram registrados e muitos jogos, decididos pelas mãos dos arqueiros dos dois lados

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 05h00

A presença de Cássio e Weverton na decisão do Campeonato Paulista é mais um capítulo na tradição de grandes goleiros que defenderam Corinthians e Palmeiras no dérbi estadual. Em 103 anos de rivalidade, duelos inesquecíveis foram registrados e muitos jogos, decididos pelas mãos dos arqueiros dos dois lados. As equipes se enfrentam nesta quarta-feira, a partir das 21h30, na Arena Corinthians.

Convocado por Tite para ser um dos três goleiros da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, Cássio vive novamente ótima fase e tem se destacado nos últimos confrontos com o Palmeiras. Ele sempre diz gostar de jogos grandes. 

O último encontro entre os dois rivais, no dia 22 de julho, é um ótimo exemplo disso. O Corinthians venceu por 1 a 0, com gol do zagueiro Gil, em uma noite em que Cássio fez pelo menos três grandes defesas e impediu o empate palmeirense. O goleiro alvinegro pode chegar ao 10.º título pelo clube e se igualar a Marcelinho Carioca como o maior vencedor da equipe. 

Do outro lado, o Palmeiras também tem um goleiro de seleção. Weverton foi campeão olímpico com o Brasil nos Jogos do Rio-2016 e foi chamado por Tite nas convocações mais recentes. Apesar de ter cometido uma falha no último dérbi, o goleiro está confiante para a decisão.

“Não pode faltar luta e entrega. É final de campeonato, e ainda é clássico. Então, dá um sabor especial para a disputa. É dedicação, luta, vontade. A gente tem exemplo agora, que quinze dias atrás tivemos a chance de jogar e tirar lições do que foi aquele jogo. Agora é se preparar bem para fazer um bom jogo e largar bem”, disse Weverton após a vitória contra a Ponte Preta pela semifinal.

O clássico sempre foi marcado por grandes goleiros. Há 70 anos, o novato Gylmar dos Santos Neves, representante do time de Parque São Jorge na Copa do Mundo de 1958 e apontado até hoje como o maior goleiro do futebol brasileiro em todos os tempos, foi contemporâneo do veterano Oberdan Cattani, figura sempre presente no Palestra Itália durante os seus 95 anos de vida (1919-2014) e eleito por inúmeros palmeirenses como o melhor da história do clube.

Na década de 60, sem Gylmar e Oberdan, Corinthians e Palmeiras tinham em suas metas Cabeção e Valdyr Joaquim de Moraes. Nos anos 70, dois jovens surgiram como cometas e assumiram rapidamente a titularidade nos dois clubes e foram convocados para a Copa do México: Leão e Ado. Leão esteve com a seleção em mais três Copas (1974, 1978 e 1986).

Nos anos 90, a vez foi de Velloso e Ronaldo, idolatrados em seus times. O corintiano foi titular por dez anos, sendo campeão paulista (três vezes), brasileiro e da Copa do Brasil. Velloso jogou de 1988 a 1999 e fez parte do time que quebrou o jejum de títulos, em cima do Corinthians, em 1993, além do Brasileirão no ano seguinte, mais uma vez sobre o adversário.

Em 1999, surgia um dos maiores ídolos do alviverde: o goleiro Marcos. Nas quartas de final da Libertadores, o goleiro defendeu pênalti batido por Vampeta e ajudou o Palmeiras a seguir na competição – até hoje a única conquista do clube no torneio.

Um ano depois, mais um encontro, desta vez pela semifinal. De um lado, o mesmo Marcos e do outro, ninguém menos do que Dida. O arqueiro alviverde pegou pênalti decisivo de Marcelinho Carioca – o goleiro foi “santificado” pela torcida, virou São Marcos e foi campeão mundial com a seleção brasileira na Copa de 2002.

Agora, mais um capítulo desta rivalidade vai ser escrito. Cássio tem mais experiência, afinal são oito anos na meta corintiana, mas Weverton quer deixar seu nome na história e se tornar lenda. Quem ganha é o dérbi.

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Relembre como foi o único tetracampeonato paulista, conquistado pelo Paulistano há 100 anos

Clube foi campeão estadual em São Paulo em 1916/1917/1918/1919; Corinthians tenta ser o primeiro tetra na era do futebol profissional

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 08h00

O Corinthians enfrenta o Palmeiras na final do Campeonato Paulista em busca de fazer história. Se conquistar o título, o time alvinegro se tornará o único tetracampeão paulista na era do futebol profissional. No Estadual de São Paulo, apenas uma equipe levantou a taça quatro vezes seguidas: o Clube Athletico Paulistano, há mais de 100 anos, em 1916/1917/1918/1919.

Fundado no fim de 1900, o Paulistano foi referência no início do futebol brasileiro, na era amadora. Foram 11 títulos estaduais conquistados entre 1905 e 1929. Atualmente, porém, não disputa campeonatos de futebol profissional. O clube fica localizado no Jardim América, bairro nobre de São Paulo, e conta com milhares de sócios. 

O feito inédito até hoje poderia ser maior, mas o penta em 1920 escapou. O responsável por acabar com a sequência do Paulistano foi o Palestra Itália, hoje Palmeiras, que venceu o na época chamado "jogo-desempate" por 2 a 1 e ficou com o título.

O Campeonato Paulista de 1929 foi o último disputado pelo Paulistano. A diretoria do clube na época decidiu que era hora de abandonar o futebol, que passava por período de ascensão do profissionalismo. Grande parte da equipe se uniu a jogadores da Associação Atlética das Palmeiras, campeã em 1909, 1910 e 1915. Formaram, em 1930, um novo time, o São Paulo Futebol Clube.

A história do tetra

Ao fim da temporada de 1915, o Paulistano sofreu duro golpe, com a perda do Velódromo, negociado pelos proprietários e, na sequência, demolido. O clube viu seu quadro de associados diminuir para 30 contribuintes e quase desapareceu. O time de futebol, porém, permaneceu ativo, sendo fator fundamental para o ressurgimento do clube.

Em 1916, a equipe mandou suas partidas no Estádio da Floresta e, com campanha de nove vitórias, um empate e duas derrotas, ficou com o título. A conquista foi alcançada na Vila Belmiro, em goleada sobre o Santos, por 5 a 2.

Em 1917, ainda sem sede própria, o Paulistano usou novamente o campo da Floresta. Após 12 triunfos, três empates e uma derrota, superou os fortes rivais e levou, de forma definitiva, a taça Jockey Club, pelos êxitos em 1913, 1916 e 1917.

Para 1918, o clube recebeu dois grandes reforços: a sede do Jardim América e Arthur Friedenreich, melhor atacante da primeira era do futebol brasileiro. Com 25 gols nos 14 jogos em que atuou, o craque foi fundamental para a acirrada disputa do Estadual. O Paulistano fechou a competição com 13 vitórias e três derrotas, um triunfo a mais do que o Corinthians, que acabou com vice. 

O torneio de 1918 acabou marcado por sua paralisação, causada pela epidemia da gripe espanhola. O Paulistano não jogou de 29 de setembro a 15 de dezembro, e o título foi comemorado apenas na última rodada, já em janeiro de 1919, com goleada por 7 a 0 sobre a Associação Atlética das Palmeiras.

Em 1919, o Paulistano começou mal o campeonato. Nas seis primeiras rodadas, duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Na sequência, porém, uma arrancada de 12 triunfos seguidos. Friedenreich liderou o ataque novamente, com 26 gols. O Palestra Itália foi batido por um ponto, graças à goleada de 4 a 1 contra o Corinthians, na rodada final. 

Façanha é lembrada

Os 100 anos do tetra foram completados no dia 21 de dezembro de 2019. Ao longo do ano passado, o Paulistano preparou uma série de eventos para comemorar a data. Em março, na abertura do Campeonato Interno das categorias de base, crianças e familiares puderam admirar os troféus e aprender mais sobre o feito. As taças Jockey Club (de 1916 e 1917) e Cidade de São Paulo (1918 e 1919) ficam na sala da presidência do clube.

Em abril, a Federação Paulista de Futebol, representada por Reinaldo Carneiro Bastos, presidente, e Mauro Silva, campeão do mundo em 1994 e vice-presidente da FPF, visitou o Paulistano para entregar placa em celebração ao centenário da façanha ainda única. Por fim, em outubro, o clube preparou uma exposição sobre o tetra.

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