Nilton Fukuda/Estadão
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Corinthians corre risco com técnico interino e elenco de 'quatro' jogadores

Time alvinegro tem pouca esperança de fazer uma boa campanha no Brasileirão 2020

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2020 | 05h00

Em 13 jogos no Campeonato Brasileiro, o Corinthians somou 14 pontos. Poderia ter chegado a 39 se tivesse vencido todas as partidas. Mas ninguém ganha todas, ou quase ninguém. Os números reais apontam para três vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Todo mundo sabe que no sistema de pontos corridos, com vitória valendo 3, quem empata muito desce a ladeira. Os problemas do Corinthians não são os empates, não apenas. São os tropeços também.

Ocorre que essa combinação (empate e derrota) costuma ser fatal para os times que vão lutar lá na frente para escapar do rebaixamento.

Ainda é cedo para prever qualquer quarteto ameaçado de cair. Mas já é possível comentar, meio que por cima, que o Corinthians corre risco.

Repito o que ouvi neste fim de semana de alguns corintianos já mais assustados. A disputa nacional andou 1/3 de suas partidas. Tem muito jogo ainda. Na sequência, o Corinthians recebe o Santos e visita o Ceará, para depois encarar o Athletico-PR fora de casa e medir forças com o Flamengo em Itaquera. Num palpite descompromissado, tem chances de se dar bem contra o rival cearense. Hoje, está atrás de todos eles na classificação do Nacional.

O que as contas e os números não mostram, no entanto, é a formação desse Corinthians, de um elenco de pouca ou quase nenhuma competência, e esperança, comandado por um treinador interino, que nem sua condição o exime de cobranças e pressão. É raro ver uma torcida não gostar, ou reclamar, do interino. Afinal, sabia-se desde o primeiro dia que ele não ficaria.

Mas como esta temporada abriu brecha para as escolhas dos torcedores, aos gritos e protestos, como ocorreu no Atlético-MG em relação a Thiago Neves, a torcida do Corinthians já vetou qualquer possibilidade de o clube efetivar Coelho, de modo que um novo treinador passou a ser procurado com mais seriedade na semana passada.

O futebol brasileiro anda tão de pernas para o ar e atrapalhado que até o significado do termo interino alguns presidentes querem mudar.

Quando caiu em 2007, o Corinthians somou 44 pontos em 38 jogos: 10 vitórias, 14 empates e 14 derrotas.

Há duas cartas na mesa para a diretoria se arriscar. Uma delas, a mais urgente, é contratar um treinador. Mas tem de ser alguém de peso, que mexa em tudo sem medo. A segunda é esperar o dinheiro prometido pelo parceiro do estádio em Itaquera, a Neo Química Arena, para contratar mais jogadores. É isso o que os presidentes fazem. Há, porém, um problema. A eleição no clube trava tudo. Nada será aprovado às vésperas de se escolher um presidente. Enquanto isso não acontecer, tudo pode ser levado em banho-maria. Isso é péssimo, porque Coelho não vai conseguir motivar os atletas do time.

Luan, por exemplo, não pode nem ouvir falar no nome de Coelho, que o saca em todos os jogos como se somente ele fosse culpado pelas fracas atuações, como essa última no empate sem gol diante do Bragantino.

Tirando Cássio e Fagner, por quem os corintianos têm enorme respeito, e Jô, que cresceu na base e amor a filho não muda, os demais jogadores não têm sequer qualidade para vestir a camisa da equipe. Para não ser injusto, coloco Gil nesta turma dos que se salvam. Quatro jogadores, se o amigo me permite contar. Quatro. Paro por aí. Mas, para que não digam ainda que só vejo o lado ruim da coisa, há uma esperança. Que Luan, Otero e Cazares possam se juntar em breve, quando todos estiverem prontos, e formar um trio do barulho nesse Corinthians, capaz de municiar o atacante Jô.

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