Corinthians e Boca reúnem elencos experientes e defesas sólidas

Os dois finalistas da Libertadores têm muito mais em comum que a força de suas torcidas

Vitor Marques, estadão.com.br

22 de junho de 2012 | 12h13

SÃO PAULO - Um time com média de idade alta, uma defesa sólida e um futebol pragmático, às vezes até sem brilho, mas muito eficiente. Essas características podem ser atribuídas tanto a Corinthians quanto ao Boca Juniors, os dois finalistas da Libertadores que superaram nas semifinais equipes badaladas e mais associadas ao futebol do Barcelona, como o Santos, de Neymar, e a Universidad de Chile. Boca e Corinthians têm muitas coisas em comum.

O Corinthians aposta na força de um quarteto experiente formado por campeões da Libertadores, como Alex (30 anos) e Danilo (33), e outros dois jogadores bem rodados, como Emerson Sheik (33 anos) e Jorge Henrique (30 anos). Esses quatro jogadores, com a ajuda de Paulinho e Ralf no meio de campo, dão sustentação ao setor defensivo – que vê a confirmação de Castán como um zagueiro firme e um goleiro em ascensão, Cássio.

O resultado disso é que Tite criou uma fortaleza que sofreu apenas três gols em doze jogos nesta edição da Libertadores, número destacado nesta sexta-feira pela imprensa argentina, que 'apresentou' o Corinthians aos torcedores do Boca. O Corinthians chega à decisão formatado num 4-4-2, que às vezes se transforma num 4-2-3-1, exatamente como aconteceu no segundo tempo da 'decisão' com o Santos.

Julio César Falcioni, que também utiliza o 4-4-2, arquitetou seu Boca Juniors com o veteraníssimo Schiavi (39 anos), Riquelme (33 anos) e Clemente Rodríguez (30). Cvitanich e Mouche, que sempre reclama quando é substituído, revezam no ataque ao lado de Silva, a referência na área. É um time acostumado a decisões.

Se a defesa do Boca também sofreu poucos gols na competição (sete), seu ataque é bastante econômico: marcou 18 vezes, um menos que o Corinthians, que fez 19 gols, número inflado por uma goleada de 6 a 0 sobre o fraco Táchira na última rodada da primeira fase.

A diferença é que o Boca Juniors tem um camisa 9 de fato, Santiago Silva. Trata-se de um atacante trombador. E o Corinthians se vê obrigado a jogar sem um homem de área porque Liedson não está bem. Na Argentina, apesar da boa campanha na Libertadores e no campeonato local, o Boca tem sido criticado por não jogar um futebol vistoso. Críticas que despertam a ira de Riquelme. "Se nós estamos jogando mal, imagina os outros que estão atrás da gente", rebateu depois de um jogo do Campeonato Argentino.

TERMOMÊTRO

Riquelme é o termômetro do Boca. Quando ele está bem, geralmente decide a partida, deixando ora Mouche ora Silva em condição de marcar. Esse trio, aliás, é responsável por metade dos gols da equipe na Libertadores. Cobranças por um futebol mais encantador também são muito comuns no Corinthians, que se destaca desde o ano passado pela força do futebol para compensar a falta de um craque.

O que favorece mesmo o Boca nesta final é seu histórico em Libertadores. O time vai disputar sua 10ª decisão e busca seu sétimo título. O Corinthians é um estreante em finais. A vantagem corintiana de jogar em casa na partida de volta, dia 4 de junho, no Pacaembu, tem seu peso. E isso não é pouco, já que o time ainda não perdeu em casa, o que significa que o título pode mesmo ser decidido na La Bombonera, quarta-feira que vem, na Argentina.

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