Corinthians e Odebrecht negam aviso prévio sobre problemas em guindaste

Sindicato denunciou que um alerta de mau funcionamento fora emitido antes do acidente

Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2013 | 13h17

Atualizado às 17h52

 

SÃO PAULO - A Odebrecht, construtora responsável pela Arena Corinthians, e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Infraestrutura do Estado de São Paulo negaram no início da tarde desta quinta-feira a informação de que um problema na base de sustentação do guindaste que tombou na quarta-feira já havia sido constatado horas antes do acidente, como informou mais cedo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antônio de Souza Ramalho.

"Ainda não é possível definir como e por quê houve o acidente. Somente a perícia vai mostrar", afirmou Flávio Ferreira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada, Infraestrutura e Afins de São Paulo (Sintrapav-SP). Já a construtora definiu como "infundadas" as denúncias do Sintracon-SP.

No fim da manhã, o presidente do Sintracon-SP, Antônio de Souza Ramalho, revelou que um alerta sobre problemas na base de sustentação do guindaste que tombou na Arena Corinthians havia sido feito horas antes do acidente que matou dois operários na quarta-feira. Segundo ele, a operação seguiu mesmo assim. Não foi interrompida.

"Um técnico de segurança da obra do Itaquerão já havia detectado que a base de sustenção do guindaste não era suficiente, e esse técnico chamou um engenheiro de segurança, que também detectou o problema e avisou os responsáveis da obra naquele setor do estádio", garante Ramalho. Ainda de acordo com o especialista, a ordem foi para que os trabalhos prosseguissem.

DOCUMENTADO

O presidente do Sintracon-SP revelou ainda que esse alerta estaria "documentado", e que teria sido dado por volta das 8h da manhã de quarta-feira, dia do acidente, portanto - aproximadamente quatro horas e meia antes da tragédia. Durante a tarde, representantes do sindicato começaram a apurar possíveis causas do acidente junto a operários da obra. "Soubemos desse fato à noite", informou Ramalho.

Para o sindicato, são três as possíveis causas do acidente. "Trabalhamos com as hipóteses de que houve erro de cálculo, ou da base ou do peso da peça", explicou Ramalho. "Acidentes desse tipo sempre são erros humanos, ou do operário ou do engenheiro." O Sintracon-SP afirmou ainda que tem recebido várias denúncias envolvendo as condições gerais da obra do estádio do Corinthians, sendo que a maioria delas têm sido sanadas. A única que o sindicato tem encontrado problemas para solucionar teria a ver com o excesso de horas trabalhadas.

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