Cesar Greco/Ag. Palmeiras e Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Cesar Greco/Ag. Palmeiras e Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Corinthians e Palmeiras trocam de papéis em comparação à pré-temporada

Antes cotado como azarão, Alvinegro vive grande fase e lidera Brasileiro, enquanto rival badalado tenta superar crise de rendimento

Ciro Campos, Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2017 | 07h00

Quase na virada para a segunda metade da temporada, Corinthians e Palmeiras vivem situações contrárias às cotações e expectativas traçadas no começo de 2017. Quem era badalado e vislumbrava um ano bastante promissor, vive agora turbulência e vê seu maior rival, antigo azarão no ano, desfrutar de ótima fase.

As cinco primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro acabaram por selar a inversão de papéis de Corinthians e Palmeiras. No ano do centenário da rivalidade, o Alvinegro foi campeão paulista e está na liderança do Brasileiro, com campanha invicta e pode reforçar o bom momento caso mantenha o tabu no clássico deste domingo, em casa, contra o São Paulo, para quem jamais perdeu na arena.

O Palmeiras vive a angústia de estar muito abaixo do esperado. O atual campeão brasileiro, reforçado por mais de R$ 80 milhões e 12 reforços, amarga uma posição acima da zona do rebaixamento. De candidato a ganhar tudo em 2017, é agora o clube paulista de pior campanha neste início de Nacional.

"Ainda não encaixamos o time ideal. Quem já conseguiu isso, está na frente no Brasileiro. Temos de ter paciência. Uma hora as coisas vão andar", afirmou o técnico Cuca. 

O comandante do título do ano passado retornou há um mês ao clube para tentar consertar uma campanha irregular. Os resultados ainda não vieram e o Palmeiras não ganha há quatro rodadas. Nesse período, a equipe não fez gols e perdeu dois pênaltis, um batido por Jean e outro pelo atacante Willian.

A secura no ataque ajuda a explicar o declínio nas expectativas para a temporada. O setor que se reforçou com Borja, Willian e Keno não marca gols desde a vitória por 3 a 1 sobre o Tucumán, na Copa Libertadores, em 24 de maio. "Temos falhado nas conclusões. Talvez se tivéssemos acertado, falaríamos hoje de outra situação. Às vezes os opostos estão muito próximos um do outro", comenta Cuca.

O Corinthians iniciou o ano cercado de desconfiança. Após fracassar na tentativa de contratar alguns treinadores, decidiu apostar suas fichas no auxiliar Fábio Carille e buscou reforços que não chegaram a empolgar quando foram anunciados. Jô, que hoje é artilheiro e um dos destaques da equipe, chegou de graça, após ser dispensado pelo Jiangsu Suning, da China. 

A descrença no time de Carille foi tão grande que o Corinthians acabou sendo rotulado pela imprensa e parte da torcida como a quarta força do Estado, atrás de Palmeiras, Santos e São Paulo. O desdém acabou sendo usado pelos jogadores como forma de motivação.

Seguindo os passos de Tite, seu mentor no futebol, Carille conseguiu adotar um esquema tático no qual priorizou a defesa e criou um sistema de jogo seguro, que faz com que o Corinthians consiga a incrível marca de estar 18 partidas sem perder. De quebra, ganhou o Paulistão e agora lidera o Nacional. 

A diretoria comemora o bom momento e respira aliviada, já que foi bastante pressionada no início da temporada, justamente pelo baixo investimento e por montar uma equipe em que, no papel, estava longe de dar esperança à sua torcida.

Para Carille, as comparações do Corinthians com os rivais não o incomodam mais. "Eu li e ouvi essas coisas por aí. Mas não trouxe isso para o grupo, até porque eu não sabia como os meninos iriam receber essa notícia. Mas é claro que eles estão escutando e lendo essas coisas", comentou o treinador.

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