Clayton de Souza/Estadão
'Estamos no São Paulo, que está acostumado com vitórias', comentou o jogador Clayton de Souza/Estadão

Corinthians e São Paulo iniciam a luta no Grupo da Morte

Clássico na Arena Corinthians tem caráter decisivo diante da presença do San Lorenzo, atual campeão, na mesma chave da Libertadores

Gonçalo Junior e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 07h00

Na primeira vez em que se encontram na Copa Libertadores, Corinthians e São Paulo colocam em campo quatro títulos sul-americanos. É um confronto aguardado desde o sorteio dos grupos, em dezembro, e que inicia um torneio à parte, disputado só entre os dois times, válido pelo Grupo 2. A partida na Arena Corinthians está centrada na rivalidade local inchada por disputas políticas e páreos renhidos nas contratações. Tudo isso entra em campo hoje, às 22 horas. Como dizia Armando Nogueira, o torcedor tem duas alegrias: ver a vitória do seu time e o tropeço do rival. Corinthians e São Paulo têm a chance de unir esses dois prazeres no mesmo torneio. 

A partida ganhou esse tom solene porque inaugura o chamado “Grupo da Morte”. Além dos dois paulistas, completam a chave o San Lorenzo, atual campeão, e o Danubio, campeão uruguaio e teoricamente o mais fraco da chave. Existiriam, portanto, três candidatos para duas vagas. Mesmo que seja o primeiro de seis jogos da fase de grupos, um vacilo pode ser fatal. 

“Existe uma grande chance de um time paulista eliminar o outro na primeira fase”, afirma Rogério Ceni. “O grupo teoricamente tem três equipes muito fortes, com três campeões de Libertadores, além do campeão uruguaio. O principal é vencer, mas também é importante não perder para adversário direto”, disse Tite. 


É uma decisão sem favoritos, na opinião dos treinadores. Com uma avaliação genérica, sem revelar detalhes do que pensam, Muricy e Tite apontam o entrosamento e a qualidade técnica das duas equipes. “Os dois times são muito iguais. O Corinthians tem uma base do ano passado e levou um técnico que já é da casa. Também temos um time definido e fizemos contratações pontuais”, avalia Muricy Ramalho. 

Tite prefere analisar o conjunto são-paulino e evita falar sobre as individualidades. “É o conjunto da obra que preocupa. As duas equipes têm grande qualidade técnica.” 

Para os são-paulinos, a Arena Corinthians é um ponto favorável ao rival na estreia. “Os dois times são iguais. A única vantagem do Corinthians é jogar em casa”, afirma Souza. Em 22 jogos no estádio, o Corinthians só perdeu um, justamente na estreia, e vem de sete vitórias seguidas. A proximidade do torcedor com o campo e a cobertura, construída para concentrar o barulho da massa e amplificar o som, são os diferenciais do caldeirão. A expectativa é de recorde de público com quase 40 mil vozes gritando pelo Corinthians, contra apenas 1.500 são-paulinos . 

Esse caráter decisivo obviamente influencia o desenho tático dos treinadores. O erro será ainda mais imperdoável do que em partidas normais. Só ontem Tite confirmou a escalação de Danilo no lugar de Guerrero, que está suspenso. Como dono da casa, o Corinthians vai pressionar. “Vamos aproveitar as características do Danilo e o bom momento técnico que ele vive”, resumiu Tite. 


Muricy preferiu ficar na sua. Limitou o acesso da imprensa aos treinamentos e não revelou como vai jogar. Faz mistério sobre as peças e o esquema, mas a tendência é que coloque mais jogadores no meio-campo. Ou até um terceiro zagueiro. Alguns jogadores deixaram escapar que o empate não é tão ruim. “Nosso problema é a recomposição”, diz Muricy. 

O técnico diz isso apoiado no último jogo entre os dois, vitória do Corinthians por 3 a 2 no Campeonato Brasileiro. O São Paulo esteve à frente duas vezes, mas tomou a virada. A expulsão de Alvaro Pereira deixou o time vulnerável. “Aquele jogo trouxe muitas lições. Mas não posso revelar todas”, diz Souza. 

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Ralf atinge 300 jogos pelo Corinthians e deixa de lado briga por dívida

Volante sabe que o duelo desta quarta-feira é muito especial por se tratar de um confronto contra o rival São Paulo pela Libertadores

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 07h00

Ralf tem muitos motivos para comemorar. Hoje, quando entrar em campo, ele completará 300 partidas com a camisa do Corinthians e sabe que o duelo é muito especial por se tratar de um confronto contra o rival São Paulo pela Libertadores. "Fico feliz com essa marca, a gente sabe que não é qualquer um que consegue atingir isso. É uma camisa que exige muito respeito e estou agora ao lado de outros ídolos."

Ele teve uma participação importante na conquista do Corinthians na Libertadores de 2012. No primeiro jogo, fora de casa, na Venezuela, contra o Deportivo Táchira, ele evitou a derrota ao marcar de cabeça no último minuto. A partir daí, o time engrenou e chegou ao título inédito de forma invicta. "Para ser sincero, eu nem lembrava mais disso, faz tanto tempo”, comentou Ralf. "Claro que gostaria de fazer o gol novamente, mas nosso primeiro objetivo é conseguir a vitória."

Ralf entende a importância do confronto, ainda mais por se tratar de um grande rival do Corinthians. "A ansiedade existe, mas é normal, como ocorre em todos os jogos. Esse duelo tem um sabor especial, mas a gente tenta se manter tranquilo para chegar bem na partida”, diz volante, que terá a função de proteger a defesa para evitar os contra-ataques do adversário. “Nós nos preparamos bem durante a semana para conseguir a vitória no clássico."

No início da temporada Ralf ameaçou deixar o clube por causa de uma dívida no pagamento de seus direitos de imagem. Ele ainda não recebeu, mas preferiu não polemizar com a diretoria antes de um duelo tão importante. "O clube ainda não pagou, mas a gente vem conversando com a diretoria. Sabia que teria de esperar a eleição para presidente e não tenho muito o que falar. Estou há cinco anos aqui e nunca tive problema. Estou focado, feliz, os valores financeiros nunca atrapalharam e vamos manter o foco."

Por causa da possibilidade de perder Ralf o Corinthians foi em busca de outro jogador para a posição e trouxe de volta Cristian, um velho ídolo, que estava na Turquia. 

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Luis Fabiano deve ser o único atacante do São Paulo no clássico

O técnico Muricy Ramalho deve escalar cinco jogadores no meio para controlar a posse de bola e esfriar o jogo na Arena Corinthians

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 07h00

Muricy Ramalho deve escalar apenas Luis Fabiano como atacante. No meio, serão cinco jogadores para conter a pressão já esperada do Corinthians e tentar equilibrar o porcentual de posse de bola. Ele confia bastante na qualidade técnica para não ser sufocado. 

Para não deixar Luis Fabiano “morrer de fome”, como ele gosta de dizer, vai pedir que os meias – Michel Bastos, Thiago Mendes e Ganso – se aproximem da área em todos os ataques. Com essa formação, conseguiria proteger os laterais Bruno e Reinaldo, que apoiam bem mas têm dificuldades para marcar. Além disso, vai tentar controlar o volume de jogo do Corinthians, que confirmou a escalação de Danilo (um meia) no lugar de Guerrero (atacante). Na zaga, Dória deve ser titular ao lado de Toloi. Em linhas gerais, o esquema 4-5-1 (ou 4-2-3-1) é o plano tático do São Paulo para a estreia na Libertadores, na Arena Corinthians. 

A adoção de cinco jogadores no meio é uma tendência, sem confirmação oficial, porque o treinador vem fazendo treinos fechados desde a partida contra o Bragantino. O plano B de Muricy surgiu exatamente da goleada de 5 a 0 em Bragança Paulista, quando o time atuou com três zagueiros. O técnico ficou satisfeito com a movimentação dos alas, principalmente Boschilia, e a ótima atuação de Maicon, outro que tem chances de ser escalado hoje. Esse esquema tem menos chances de ser utilizado porque Muricy não quer perder a força de seus laterais.  

A diretoria afirma que os planos do treinador não foram compartilhados com ninguém. “Só ficarei sabendo da escalação quando a assessoria de imprensa divulgá-la no vestiário”, diz o vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro. 

Dois desfalques certos são o atacante Alexandre Pato, por questão contratual, e o meia Adrián Centurión, que cumpre suspensão de dois jogos por uma expulsão na sua primeira passagem pelo Racing, em 2013. “O Pato está fora. Não há chance de pagarmos a multa para ele jogar”, afirmou o dirigente. Logo após a partida contra o Bragantino, Pato demonstrou vontade de atuar contra o Corinthians, clube que detém seus direitos federativos. 

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