Nathalia Aguilar / EFE
Nathalia Aguilar / EFE

Corinthians elimina Nacional em jogo com ato de racismo e vai atrás do tri da Libertadores Feminina

Adriana foi chamada de "macaca" por uma uruguaia e houve um princípio de confusão na goleada por 8 a 0

Redação, Estadão Conteúdo

16 de novembro de 2021 | 20h37

Um ano após chorar uma dolorosa eliminação na semifinal, nos pênaltis, de maneira invicta e com a melhor campanha, as meninas do Corinthians deram a volta por cima e vão buscar o tricampeonato da Copa Libertadores no domingo, diante do Independente Santa Fé, da Colômbia. A vaga à final veio com uma apresentação impecável diante do Nacional-URU e goleada impiedosa por 8 a 0. Um ato de racismo manchou a semifinal. Após anotar o sexto gol, Adriana foi chamada de "macaca" por uma uruguaia e houve um princípio de confusão. Vic Albuquerque até chorou e foi consolada pela árbitra.

Apesar de a competição ter sido disputada toda no Paraguai, a decisão da taça será no Uruguai, sede das finais masculinas da Copa Sul-Americana (Red Bull Bragantino x Athletico-PR) e da Libertadores (Palmeiras x Flamengo). Brasileiras e colombianas se enfrentarão no estádio Gran Parque Central, às 20 horas (de Brasília), no domingo.

Campeãs em 2017 e 2019, as corintianas tentarão se igualar ao São José, então único tricampeão da Copa Libertadores. No Brasil, o Santos também é bicampeão e atualmente quem detém o título é a Ferroviária, que disputará o terceiro lugar com o Nacional, quinta-feira.

Nesta terça-feira, no estádio Manuel Ferreira, em Assunção, as comandadas de Arthur Elias demoraram apenas 12 minutos para abrir o marcador. Cobrança de escanteio de Yasmin na cabeça da zagueira Giovanna Campiolo e porteira aberta. Com as uruguaias obrigadas a abandonar o esquema defensiva, era questão de tempo para o Corinthians aumentar.

Mas, apesar do bombardeio, nada de nova bola na rede de Villanueva. A goleira brilhou com ótimas defesas e garantiu as uruguaias "vivas" até o intervalo. O retorno do descanso, porém, foi com um Corinthians avassalador.

Diany recebeu livre e mandou no ângulo logo aos quatro minutos para deixar o jogo menos complicado. Vale lembrar que em 2020 o Corinthians fez 1 a 0, desperdiçou muitas chances, levou o empate do América de Cali nos acréscimos e acabou perdendo nos pênaltis.

A história desta vez foi bem diferente. O Corinthians estava vacinado contra os erros e seguiu buscando o ataque. Em contragolpe, Adriana saiu cara a cara e parou em Villanueva. Pegou o rebote e cruzou para belo voleio de Vic Albuquerque. Era um gol atrás do outro.

Cruzamento de Tamires da esquerda, a goleira falha e Gabi Portilho anota seu quarto gol na Libertadores sem problemas. Arthur Elias começou a poupar as titulares e mostrou estrela. Jheniffer em seu primeiro toque, fez o quinto. Faltava o da capitã Adriana, garçom do time na Libertadores e eleita melhor em campo.

Ele veio em cobrança de pênalti no ângulo. Comemorava com coração à família quando foi chamada de "macaca". Vic Albuquerque saiu em sua defesa e o tempo fechou. A atacante corintiana, indignada, foi às lágrimas. O técnico corintiano tirou a dupla, visivelmente abalada. 

"Me senti muito mal. Nunca passei por uma situação dessa e escutar isso em uma partida tão especial não é legal. Espero que ela respeite, aprenda e não faça mais", afirmou Adriana.

Experiente jogadora do Nacional, completando 200 jogos pelo time uruguaio, a capitã Colman fez questão de pedir desculpas à Adriana e aos brasileiros. "Se ela se sentiu ofendida por uma atitude de alguma jogadora da nossa equipe, peço desculpas em nome do Nacional."

Após o ato de racismo, Juliete, de fora da área, mandou no canto e ampliou. Comemorou com o braço erguido e a mão fechada no símbolo do "racismo, não." No fim, a experiente Grazi ainda deixou o dela e, desta vez, as companheiras e todos do banco mandaram o recado às uruguaias com repetição do gesto do "racismo, não."

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