Corinthians estréia sem quatro titulares

Não demorou muito para que o técnico do Corinthians, Juninho Fonseca, começasse a sentir na pele o tamanho do desafio que terá pela frente nesse primeiro semestre. Antes mesmo da estréia no Campeonato Paulista, nesta quarta-feira, contra o Atlético Sorocaba, às 15h30, no Estádio Walter Ribeiro, o treinador já tem, pelo menos, quatro desfalques. Todos por causa de problemas burocráticos: o volante colombiano Freddy Rincón, o zagueiro Valdson e o atacante Marcelo Ramos. A eles juntou-se hoje o meia Rodrigo, impossibilitado de jogar graças a liminar obtida pelo Botafogo, que o obriga a se apresentar em Caio Martins. O advogado do atleta, no entanto, já providenciou recurso. Durante os últimos sete dias em Extrema, cidade no Sul de Minas escolhida para a pré-temporada, jogadores e integrantes da comissão técnica viveram em um ambiente que remetia à tranqüilidade absoluta. Ar puro, clima agradável, belo visual e contato com a natureza. Apesar de todo o contexto favorável, um detalhe teimava em não abandonar o semblante da maioria: a preocupação. O clube - principal colecionador de títulos paulistas, com 25 conquistas - começa amanhã, às 15h30, em Sorocaba, diante do Atlético, desafio muito maior do que chegar ao bicampeonato. O Estadual, apesar de encolhido pelo calendário, é fundamental nas pretensões de Juninho, dos jogadores e até da diretoria. O título - e só ele - afirma o treinador no cargo, tira parte da pressão que incomoda os atletas desde a 15.ª posição no Brasileiro de 2003 e fortalece a candidatura de Alberto Dualib a mais um mandato. Juninho sabe muito bem disso. Tanto é que no domingo reconheceu o receio que o acompanha nesse momento. "Tenho medo, sim! mas estou seguro do trabalho que estamos realizando", afirmou, com sinceridade pouco comum. A dificuldade para escalar o time que planejou durante todo o período de férias é encarada com naturalidade. "Vai ser assim durante o ano todo. É aquela velha história, se você pretendia trabalhar com um computador e, na hora, encontra uma máquina de escrever, tem de ser virar do mesmo jeito. Não adianta ficar reclamando", comparou. Em campo - A necessidade em mexer no time acabou sendo responsável por uma boa surpresa. Na sexta-feira, quando foi informado de que Marcelo Ramos não poderia atuar, Juninho optou por Samir, outro novato no grupo. O meia-atacante não só correspondeu como superou a expectativa do comandante. "Foi muito interessante observar o Samir. Ele se mostrou muito bom na aproximação e na armação. É, sem dúvida, uma excelente opção", comentou Juninho. Com a simplicidade de quem foi criado no Interior - caipira de Tuiuti -, Samir não conteve a emoção. A titularidade chegou mais rápido do que ele imaginava. E não tem sido fácil conter a emoção. "Rapaz, antes eu estava dormindo numa boa. Mas agora, com a proximidade do jogo, ficou complicado. Estou muito ansioso", confessou. O bom humor, porém, continua intocado. "Eu quero mais é embaralhar a cabeça do Juninho. Quanto mais dor de cabeça eu der para ele na hora de escalar o time, melhor."

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2004 | 19h46

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