Corinthians faz as contas para pagar dívida da arena

Corinthians faz as contas para pagar dívida da arena

Dívida de R$ 750 milhões será quitada com ajuda do lucro da bilheteria do estádio, da venda de camarotes e dos naming rights

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2014 | 07h00

O Corinthians já faz as contas para dar início, em julho, ao pagamento da primeira parcela relativa à construção do seu estádio, erguido em Itaquera e palco de 18 partidas disputadas pelo time desde maio passado. A dívida com bancos chega a R$ 750 milhões. O montante, segundo o clube, será pago em 144 parcelas mensais, em um total de 12 anos, com juros. "Ao contrário do que vem sendo divulgado, quitaremos a dívida com pagamentos mensais", disse Raul Correa, diretor financeiro alvinegro.

Após os primeiros jogos e alguns eventos no local, o valor arrecadado no primeiro ano gira em torno de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões. O valor é destinado ao Fundo Arena, que é formado pelo Corinthians, pela construtora Odebrecht e pela Caixa Econômica Federal. A maior parte desse total é oriundo do lucro líquido alcançado com as 18 primeiras partidas, de pouco mais de R$ 23 milhões.

No planejamento do próximo ano, o grande trunfo do clube será mesmo a bilheteria. A estimativa de Lúcio Blanco, gerente de operações da arena, é que o Corinthians dispute até 35 partidas no local durante a temporada 2015. O lucro líquido pode chegar a R$ 56 milhões, com média de R$ 1,6 milhão por confronto. Em 2014, a proporção foi menor: R$ 1,28 milhão - no último jogo, contra o Criciúma, o valor chegou a R$ 1,76 milhão.

Para conseguir cumprir o contrato e pagar as parcelas mensais, o Corinthians pretende otimizar gastos e entender, depois do primeiro ano de uso, o processo de operação do estádio. De acordo com Lúcio Blanco, o clube pretende enxugar os gastos variáveis de cada partida. "Ainda estamos nos adaptando, passamos pelo período de aprendizado", admite.

Em 2014, o clube conseguiu "salvar" apenas 63% da renda bruta, que chegou a R$ 36,5 milhões. A fatia é menor em relação à registrada nos tempos de Pacaembu. Na última partida no estádio municipal, diante do Flamengo, o Corinthians ficou com 69% do total arredado com a bilheteria (lucro líquido de 1,06 milhão). O objetivo é igualar essa proporção. Estima-se que a renda nos próximos 35 jogos na arena atinja R$ 80 milhões.

No Pacaembu, por exemplo, o número de pessoas envolvidas na operação do estádio chegava a 400, metade do efetivo utilizado na arena. Em Itaquera, a quantidade de setores abertos influi na conta. "A cada portão aberto esse número aumenta. O custo fixo na arena é maior", explica Blanco.

Na Arena o clube ainda precisa pagar pelos telões, que são alugados. O fato influiu diretamente no lucro líquido dos primeiros jogos no local. A ideia é comprar os equipamentos e reduzir as despesas. A manutenção também é mais cara em Itaquera: o valor chega a R$ 2,5 milhões por mês, contra menos de R$ 1 milhão no Pacaembu.

OBJETIVO

O valor arrecadado com a venda dos camarotes também é parte importante do planejamento. O clube espera, além disso, conseguir outras receitas pontuais, como eventos corporativos e visitas ao local. "Há ainda o serviço de alimentação, assim como o estacionamento", lembrou Blanco.

O clube mantém negociações em relação aos "naming rights". O fechamento do negócio deve trazer alívio às contas da arena. A pedida inicial é de R$ 400 milhões por 20 anos. O Corinthians, entretanto, admite fechar por um valor menor. 

PÚBLICO

O maior público do Corinthians em Itaquera ultrapassou a barreira dos 38 mil pagantes. Isso ocorreu contra o Criciúma, na última rodada do Brasileirão. A média de torcedores no estádio chegou a 31.069. O recorde de público será batido já na pré-Libertadores. De acordo com Lúcio Blanco, o local deve, enfim, receber mais de 40 mil torcedores. "A capacidade liberada é de 47 mil lugares, contando todas as 2,5 mil poltronas dos camarotes", disse. Conseguir chegar à fase de grupos é essencial para as contas corintianas. Em 2012, por exemplo, o clube alvinegro arrecadou R$ 35,1 milhões com a bilheteria - maior valor da sua história. Os sete jogos disputados no Pacaembu contribuíram para que a marca fosse alcançada.

Confira os números da Arena:

R$ 36,51 milhões

Total nos primeiros 18 jogos

R$ 80 milhões

Previsão para os 35 jogos em 2015

R$ 23,03 milhões

Lucro no primeiro ano da arena

R$ 56 milhões

Meta corintiana para as partidas da próxima temporada 

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