Corinthians ferve e Gaviões exige reação

A temperatura continua subindo no Parque São Jorge. A desclassificação para a próxima fase do Campeonato Paulista e a ameaça de rebaixamento podem transformar o clube num verdadeiro caldeirão. A torcida organizada Gaviões da Fiel promete comparecer aos treinamentos para exigir uma reação imediata da equipe. Em meio a tudo isso, o vice-presidente de esportes terrestres, Andrés Sanches, colocou o seu cargo à disposição do presidente Alberto Dualib, que deve aceitar a demissão.Apesar do clima tenso, o técnico Oswaldo de Oliveira deu folga ao elenco nesta segunda-feira. A programação estava feita antes mesmo da derrota para o América, em São José do Rio Preto. Na visão do treinador, o dia livre será importante para que os jogadores reflitam sobre a situação e voltem ao trabalho decididos a assumir uma boa parcela da responsabilidade. Oswaldo não aceita ? e não vai carregar sozinho a culpa por um eventual desastre no domingo, contra a Portuguesa Santista. ?A situação é dramática mas o Corinthians vai se superar?, avisa o técnico. ?A hora exige calma. É preciso manter os pés no chão.?O treinador percebeu um forte abalo no emocional no grupo ainda em Rio Preto, já na volta ao vestiário do estádio Teixeirão. Os jogadores estavam assustados e abatidos, com medo do que pode acontecer em caso de um desastre. A desvalorização profissional é só uma das conseqüências. Em 97, quando o Corinthians quase caiu no Campeonato Brasileiro, o ônibus do clube foi emboscado na Rodovia dos Imigrantes por alguns integrantes da Gaviões. Rincón sentiu na própria carne o pânico daquela situação.Oswaldo teme que a insegurança atrapalhe ainda mais a equipe no jogo decisivo contra a Portuguesa Santista. Por isso mesmo ele já começou a trabalhar emocionalmente o grupo. Na volta dos jogadores ao vestiário, domingo, ele foi bem claro em sua mensagem: o momento exige união, força e equilíbrio. ?É preciso acreditar que vamos nos salvar. O Corinthians só depende de si. Basta vencer a Portuguesa Santista?, disse. Oswaldo, porém, não sabe como vai armar a equipe para o jogo decisivo.A maior esperança é a volta do meia Rodrigo, que voltou aos treinamentos na semana passada, após se recuperar de um estiramento na coxa direita que o afastou da equipe por três semanas. Além de bom jogador, o meia é um sujeito articulado, com um nível intelectual acima da média. É um dos poucos que saberiam administrar a pressão externa. ?Conto com ele mas antes preciso saber quais são as suas condições físicas?, lembra Oswaldo. ?Se estiver bem, ele joga. Mas se não estiver pronto, não posso escalá-lo num jogo de tamanha importância. De qualquer forma, temos a semana inteira pela frente.?Se Rodrigo pode reforçar o time, Rincón pode desfalcá-lo. O jogador saiu de campo com o pé direito bastante dolorido e foi até substituído por isso. Oswaldo de Oliveira ainda não sabe se o trauma pode tirar o seu capitão do jogo de domingo. Nesta terça-feira, na reapresentação do elenco, às 9 horas, no Parque São Jorge, o colombiano deve ser reavaliado pelos médicos.

Agencia Estado,

08 de março de 2004 | 23h53

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