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Corinthians firme no Brasileiro

O Corinthians não se abalou com a desclassificação da Copa do Brasil. A derrota para o Santos não é motivo de alegria e nem de tristeza. Com a mesma naturalidade que absorveu a justa eliminação em seu estádio, buscou fora a recuperação, sustentado pela maturidade estrutural de seu jogo.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 03h00

A 14.ª vitória no Campeonato Brasileiro veio contra um dos mandantes mais difíceis da competição. Nas partidas disputadas em casa, a Chapecoense só havia perdido para o São Paulo, e jamais sofrido três gols. A favor da equipe comandada por Vinícius Eutrópio, triunfos sobre Atlético Mineiro, Grêmio e Fluminense.

Havia dúvidas em relação ao comportamento corintiano após a eliminação, temperadas pela decisão polêmica de deixar Elias e Fagner no banco de reservas e Jadson fora do confronto na Copa do Brasil.

Teria o Corinthians, então, optado pelo Brasileirão e abandonado a competição eliminatória? Ou simplesmente respeitado o trabalho da comissão técnica que lhe deu os maiores títulos de sua história? 

O resultado de quarta-feira empurrou a resposta para o domingo. A vitória manteve o Corinthians quatro pontos acima do Atlético Mineiro. E mostrou que as escolhas de Tite ajudaram a manter os titulares competitivos e fortes na luta pelo título.

Mais uma vez o resultado foi fabricado pela consistência defensiva, coletiva, e pelo núcleo criativo, formado por Elias, Jadson e Renato Augusto, trio em momento especial no Brasileirão.

O primeiro tempo foi mais fácil, simples e surpreendente pela apatia da Chapecoense, que assistiu ao futebol corintiano. Oferecer espaço a uma equipe que constrói seu jogo de pé em pé, com triangulações e movimentos muito bem ensaiados, representa uma inesperada forcinha extra.

O primeiro gol exprime bem o bom momento dos jogadores e do trabalho de Tite. A pressão pela recuperação da bola, ainda no campo defensivo, gerou contra-ataque. A jogada mostra algumas das virtudes da equipe. Renato Augusto é a infiltração com a bola enquanto Elias geralmente surge sem ela para finalizar.

Jadson é o articulador, o passe mais longo, a inversão da bola, mas também o artilheiro. O segundo gol mostra isso muito bem, o meia encontra o lateral Uendel que cruza para o cabeceio de Vagner Love, que vai melhorando, vai marcando, embora ainda esteja um pouco distante do ideal. 

Com a saída de Guerrero, as características da equipe foram alteradas. As infiltrações adquiriram mais importância e, nesse ponto, o Corinthians é especial. O centroavante peruano, hoje no Flamengo, era uma referência para os companheiros. Hoje isso não existe. 

No segundo tempo, a Chapecoense aproximou-se do futebol que lhe deu vitórias importantes neste Brasileirão. Empurrou o Corinthians contra o gol de Cássio, mesmo sabendo do risco. Ficou entre marcar o segundo, o empate, e a possibilidade de levar o terceiro. Jadson cobrou pênalti sofrido por Rildo e definiu o placar, ótimo 3 a 1 que prova, mais uma vez, a competitividade do time com seus titulares em campo e saudáveis. 

O Atlético Mineiro venceu o Fluminense no Maracanã e manteve-se na disputa pela ponta do Campeonato Brasileiro. A exemplo do Corinthians, está fora da Copa do Brasil, agora com dedicação exclusiva aos pontos corridos. Não é a situação de Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Fluminense, que começam a se distanciar da ponta. 

Será que esses times aguentam a sequência de partidas e eventualmente os desfalques bancados pelas convocações da seleção? 

A ausência de Elias vai mudar o Corinthians. Reclamações para a CBF, que continua brincando de fazer calendário. Os ajustes, quando acontecem, têm um único beneficiado: a própria entidade, agora pressionada pela CPI de Romário e pelas federações. Então fica tudo como está, com um calendário de chorar. 

 

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