Corinthians ganha jogo-treino por 1 a 0

Dentro do renovado grupo de jogadores do Corinthians, a maior preocupação do técnico Juninho Fonseca, pelo menos por enquanto, recai sobre um dos mais experientes. Trata-se do atacante Gil. O treinador bem que tenta mostrar-se otimista, mas na realidade já percebeu durante a pré-temporada em Extrema que o atleta ainda não se livrou da desmotivação que o perseguiu durante todo o segundo semestre do ano passado. Coincidência ou não, período que sucedeu sua volta da seleção brasileira que disputou a Copa das Confederações, em junho, na França.A constatação ficou evidente neste domingo. Terminado o jogo-treino contra Flamengo de Guarulhos (vitória corintiana por 1 a 0), comentários eram feitos sobre diversos jogadores, sobretudo os atacantes.Régis era procurado para falar do gol marcado. Marcelo Ramos, que tinha vaga assegurada entre os titulares, era assunto por causa do problema burocrático que o afastou da estréia no Campeonato Paulista, quarta-feira, às 15h30, em Sorocaba, diante do Atlético. Samir foi considerado o melhor no campo e até Rafael Silva teve atuação analisada e elogiada por Juninho. Gil, no entanto, estava esquecido.Diante da observação de que seu mais experiente atacante simplesmente não apareceu no jogo, o técnico do Corinthians foi categórico. "A questão do Gil é 100% emocional", afirmou. "Ele é um jogador que tem potencial para estar na seleção brasileira. Só que para isso precisa voltar a jogar como na época em que foi convocado." Apesar de estar convicto sobre o ponto a ser trabalhado, Juninho disse que não teve, por enquanto, nenhuma conversa com o atacante. Também não colocou em risco sua titularidade. Em princípio, reconhece que Gil continua no mesmo estágio no qual terminou a temporada 2003, ou seja, desmotivado, mas permanece intocável no ataque. "Mesmo sem criar nenhuma jogada, ele se movimentou bem e ajudou na marcação. Na realidade, o Gil precisa se reencontrar. Tem coisas que só a própria pessoa pode fazer por ela mesma", analisou Juninho.Por outro lado... - Enquanto Gil ficava escondido atrás da marcação adversária, quem aproveitou para tomar conta do jogo-treino deste domingo foi o meia-atacante Samir. Com boa movimentação, toque de bola e arrancadas, o novo contratado corintiano deixou o campo como destaque. Na saída, deixou clara sua intenção. "Quanto mais eu atrapalhar a cabeça do Juninho, mais dor de cabeça der para ele, melhor", brincou.No time-base do Corinthians que o treinador monta para 2004, Samir é banco. Jogariam Régis, Gil e Marcelo Ramos na frente.O próprio Juninho reconheceu o mérito de Samir. Para o treinador, sua boa atuação se deveu a dois fatores. O primeiro foi a disciplina profissional. "O Samir treinou forte durante as férias e chegou aqui rendendo mais do que os outros. Ele está em um nível que deve atingir o ápice do condicionamento físico no quinto ou sexto jogo", explicou. O segundo motivo apontado por Juninho foi a força interior. "Sem dúvida toda a dificuldade que ele teve no ano passado (Samir ficou sete meses afastado no Vitória e, quando voltou, teve nova contusão que o impediu de jogar por mais dois) serviu para lhe dar mais força e motivação nesta temporada. É impressionante como a mente ajuda."Só festa - Quem viu Régis deixar o campo logo após marcar o gol que determinou a vitória do Corinthians no jogo-treino deste domingo poderia imaginar que se tratava de uma final de campeonato. Vibrando, saltando e gesticulando bastante - o tradicional sinal de "Yes", com o punho fechado e o braço dobrado -, o atacante era puro encantamento. "Rapaz, é bom demais. Isso aqui é um manto sagrado para mim", afirmou Régis, referindo-se à camisa do Corinthians. A média com a torcida, pelo menos, ficou garantida.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2004 | 14h51

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