Rodrigo Coca/ Agência Corinthians
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Robson Morelli
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Corinthians ignora dívida de mais de R$ 1 bilhão e vai às compras

Equipe alvinegra reforça elenco com jogadores de peso, como Renato Augusto, Roger Guedes e Giuliano e pode trazer Willian

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 05h00

O Corinthians se viu meses atrás numa bifurcação. Eram dois caminhos e somente um para seguir, com consequências em ambos, que só saberemos ao certo quais serão lá na frente. Uma via levava para a austeridade de suas contas, segurar as despesas, limpar os gastos sem fundamento e tentar reduzir sua dívida arredondada de R$ 1 bilhão. O outro caminho levava para o mercado, para a compra de jogadores, para assinaturas de novos contratos e, portanto, para mais compromissos a serem pagos. Em compensação, esse caminho reforçaria o time, de modo a fazer novamente a alegria da torcida e a possibilidade de ganhar jogos e subir na tabela. Se desse muito certo, poderia pensar em vaga na Libertadores.

Entre um caminho e outro, todos já sabem qual o Corinthians pegou: o dos mais gastos e mais dívidas. Qualquer dirigente inconsequente teria feito a mesma coisa que fez o presidente Duílio Monteiro Alves, afinal, o futebol está repleto de cartolas desse tipo, que olham apenas para os resultados de campo, pouco se lixam para o endividamento do clube até porque todos eles sabem que um dia vão embora e seus legados (negativos) vão cair no colo dos próximos presidentes. É assim no futebol há um século ou mais. 

O Corinthians tentou explicar que fez uma limpa no elenco, se livrou de despesas e de jogadores que nunca deveria ter trazido para dentro do Parque São Jorge e que algumas dessas novas contratações foram feitas “de graça”.

Ora, nem beijo em festa junina é de graça mais. Isso é enganar o pobre torcedor com balelas. Não existe compra no mundo capitalista do futebol sem dinheiro na mesa. O que os gestores corintianos querem dizer é que os atletas em questão, como Giuliano e Renato Augusto, não estavam atrelados a nenhum clube quando negociaram com o Corinthians. Portanto, o time brasileiro não teve de pagar nada para outra associação esportiva. O que não quer dizer que não teve de pagar esse mesmo dinheiro para o próprio atleta, ou para o seu empresário, embutido no salário mensal durante o período de contrato. De qualquer modo, o Corinthians está gastando o que não tem. 

Há um pedido no acordo com a Caixa Econômica Federal de passar a usar parte do dinheiro que viria da bilheteria do estádio nas contas do futebol. A propósito, além da dívida citada, a gestão alvinegra tem a arena em Itaquera para pagar. Nem mesmo o dinheiro da Neo Química foi suficiente para bancar a construção, já entregue. Sem contar os juros que estão correndo, o clube ainda deve R$ 600 milhões.

Atualmente, as receitas do Corinthians não são suficientes para bancar suas despesas. Isso acarreta passivos levados de uma temporada para a outra, a famosa bola de neve que vai descendo a ladeira e ficando cada vez maior. Há um gigante da Europa nessas condições, que perdeu recentemente seu melhor jogador, Messi, e tem uma dívida assumida de R$ 8 bilhões. Se a conta chegou sem piedade para o grande Barcelona, imagina como ela não chegará para o Corinthians. Duílio tem outro exemplo caseiro, no Brasil, para levar em consideração. Trata-se da contratação de Daniel Alves pelo São Paulo. O clube deve R$ 12 milhões ao atleta, que faz o que quer dentro do Morumbi e ninguém o impede. Avisou que iria para a Olimpíada e foi.

O Corinthians gasta o que não tem para acalmar seus torcedores. Monta um grupo de idade alta, acima dos 30, que poderá ter de refazer em 2022. Namora com Willian, que ganha R$ 700 mil por semana na Inglaterra e, certamente, não voltará ao Parque São Jorge de graça. O caminho escolhido é perigoso. 

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