Corinthians inicia a reformulação

O medo ainda domina a diretoria corintiana. Os dirigentes se apressaram quando souberam que membros da Gaviões da Fiel viajariam para Extrema para acompanhar a pré-temporada. Mandaram 12 seguranças acompanhar o time para a cidade mineira. E a reformulação começou nesta segunda-feira antes do embarque. O lateral esquerdo Julinho contratado do Ituano foi dispensado depois de disputar três partidas. Em compensação, a diretoria acertava a vinda do meia Piá da Ponte Preta. "Além de grande jogador, tem muita personalidade. São de atletas como o Piá que estávamos precisando. Eu o conheço do Santos e sei que adiretoria acertou ao negociar com ele", avaliava Fábio Costa. Mais do que personalidade, Piá é um jogador problemático. Já seenvolveu em diversas brigas nos times que defendeu. Foi várias vezesexpulso. Demonstrando confiança que o negócio seria mesmo fechado, eletomou a iniciativa de não aparecer nesta segunda na Ponte Preta. O diretor de futebol da equipe campineira, Marco Antônio Eberlin, se rendia diante das evidências. "O Piá vai mesmo jogar no Corinthians. Nós gostaríamos de continuarcom ele, só que precisamos cumprir o nosso acordo. O Piá teve umaatitude digna ao aceitar o parcelamento da dívida de R$ 800 mil quetemos com ele, ainda da sua compra junto ao Santos. Se surgisse umaequipe grande e ele quisesse ir, a liberação seria automática. É o queestá acontecendo. A sua ida para o Corinthians está fechada", admitia. O meia alugará o seu passe ao clube corintiano. O único entrave eraa duração do contrato: seis meses ou um ano. O Corinthians colocou àdisposição da Ponte Preta os meias Adrianinho e Renato. Os campineirosestudavam se seria válido pegar um dos dois. A diretoria corintiana quer mais. Empresários de Jardel continuammantendo negociações. O atacante se mostra bastante interessado emjogar no Parque São Jorge. O problema é quanto o Corinthians podeoferecer ao atleta que ainda pertence ao clube inglês Bolton. Adiretoria aceita pagar os salários, mas deseja que nada seja cobradopelo empréstimo. Não houve qualquer reação de tristeza pela dispensa de Julinho.Pelo contrário, até frieza. "A vida de jogador é assim mesmo. Se não dácerto em um clube se acerta em outro", resumia Fábio Costa. "Quandoalguém decide ser atleta precisa estar preparado para as dispensas. Oscomentários são tantos que todos aqui ficamos preparados para ir emborade uma hora para outra", revela Samir, muito cotado para fazer parte dadegola. Oswaldo de Oliveira levou para Extrema 31 jogadores. MarcosVinícius, Rafael Silva, Dinélson e Moreno, contundidos, ficaram em SãoPaulo. Mesmo assim treinarão muitos atletas que serão dispensados. E oCorinthians desperdiçará dinheiro com eles, pagando alimentação ehospedagem. No grupo existe até o caso do meia Juliano, de 26 anos, quedesde que foi contratado do San Jose da Bolívia em janeiro ainda nãoentrou em campo. Quando ele chegou, o ex-treinador Juninho autorizouseu empréstimo ao Oeste de Itapólis. "Mas eu me machuquei e fiquei noCorinthians. Está sendo um prêmio ir para Extrema. Não esperava. Masvou dar tudo e tentar provar que mereço ficar no clube." Nem eleacredita nas suas palavras.

Agencia Estado,

29 de março de 2004 | 16h46

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