Corinthians: Interpol investiga MSI

No quarto de um famoso hotel de luxo da capital paulista está sendo definido o futuro de um dos clubes mais populares do País. Por trás do fundo de investimentos que pretende se associar ao Corinthians, uma misteriosa mulher estaria coordenando as ações do iraniano Kia Joorabchian, representante da Media Sports Investiment (MSI). Na reserva, feita pelo empresário Renato Duprat, intermediário na negociação, um único pedido: sigilo absoluto sobre a identidade dos hóspedes. Um dos conselheiros corintianos ouvidos pela Agência Estado contou que, sábado, no jogo em que o time paulista empatou com o Grêmio, 1 a 1 no Pacaembu, o iraniano sentou-se ao lado dos dirigentes do clube, distribuiu sorrisos, abraços e, por algumas vezes, se reportou a uma mulher de meia idade quando questionado sobre questões ligadas à parceria. Duas outras fontes contam terem recebido a informação de que a esposa do famoso milionário russo Boris Berezovski teria vindo a São Paulo na última semana e estaria hospedada no Hotel Fasano. Berezovski é quem estava por trás da parceria. Berezovski, dono de uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões, tem contra si um mandado de prisão internacional por suspeita de envolvimento em contrabando de armas ao lado da máfia chechena. Foragido da justiça russa, o empresário dos ramos de petróleo, mídia, automóveis, alumínio, entre outros, mora em Londres, onde nasceu a MSI. Durante a reunião ontem do Conselho Deliberativo do Corinthians, o presidente Alberto Dualib revelou a amigos o nome de Boris Berezovski como a pessoa que pretende investir no clube. Em determinado momento, segundo um conselheiro de oposição, o dirigente teria dito: "Não importa saber a origem do dinheiro, temos de pensar no bem que ele pode trazer." Em várias frentes, entretanto, pessoas ligadas ao clube tentam levantar informações sobre os candidatos a parceiro. O vice de Futebol, Antonio Roque Citadini, tem contatado pessoas fora do País para levantar dados sobre a empresa. O deputado estadual Romeu Tuma Jr. (PPS) afirmou já ter acionado a Interpol Internacional. "Temos de ser responsáveis e só nos associar tendo total garantia", disse Tuma. PRÓXIMO PASSO - O Conselho aprovou um esboço de pré-contrato e estabeleceu um mês de prazo para validar ou não a ligação com o grupo estrangeiro. Neste período, uma comissão com oito integrantes, entre os quais Citadini, Wady Helu e Carlos Senger, terá a missão de apurar a idoneidade da empresa e ainda preparar um contrato definitivo. Há o risco de deixarem em segundo plano a origem do dinheiro e, a toque de caixa, fechar a parceria? "Há esse risco certamente, mas pelas pessoas colocadas na comissão, todas idôneas, não acredito que isso aconteça", disse o advogado Rubens Approbato Machado, conselheiro vitalício do Corinthians.

Agencia Estado,

25 Agosto 2004 | 21h50

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