Corinthians já pensa no Brasiliense

A comemoração da conquista do Torneio Rio-São Paulo ficou restrita só ao gramado do Morumbi. À noite a comemoração também foi discreta, com um jantar só entre as famílias dos jogadores. Não há tempo para relaxar: na quarta-feira, em Taguatinga, o Corinthians decide outro título. É a vez da Copa do Brasil, contra o Brasiliense. "Vou para casa descansar. Quero ser campeão também da Copa do Brasil", prometia Vampeta, que neste domingo jogou no sacrifício, com 39 graus de febre, sentindo dores no corpo todo. Os outros jogadores também não pensavam em outra coisa. Em meio à festa em pleno gramado do Morumbi, o zagueiro Fábio Luciano não conseguia se desvincular da póxima decisão. "Não dá para fazer muita festa sabendo que na quarta-feira teremos outra decisão", repetia o zagueiro. "Ganhar a Copa do Brasil é prioridade desse grupo". Do vice-campeão, o São Paulo, os jogadores do Corinthians pouco lembraram. Só o goleiro Dida estranhou a forma como Nelsinho armou a sua equipe, jogando um pouco mais fechado. "Eles jogaram diferentemente das outras partidas e dificultaram para a gente. Mas ainda assim o Corinthians fez o resultado que precisava para ser campeão". Mais animado do que a grande maioria de seus companheiros, o zagueiro Ânderson comemorava a sua primeira conquista no time principal como uma criança. "Foi minha primeira final como titular e felizmente saí como campeão. É uma sensação indescritível. Mas agora temos que pensar no Brasiliense. Queremos ganhar também a Copa do Brasil." De sua parte, o técnico Carlos Alberto Parreira procurou fazer uma homenagem a todos que participaram da conquista do torneio Rio-São Paulo, incluindo até os funcionários anônimos do clube. Foi quase um desabafo do treinador ao final da partida. "Foram quatro meses de um trabalho perfeito. O Corinthians foi o melhor time do Rio-São Paulo. Estão de parabéns os jogadores e todo o pessoal de vestiário. Isso aqui é uma equipe de trabalho." Parreira procurou ficar fora das comemorações. Só se emocionou mesmo quando os jogadores o jogaram para o alto, ainda no gramado. A mesma coisa o grupo fez com o preparador físico Moracy Sant´Ana. Era o reconhecimento explícito dos jogadores aos dois. "Eu, principalmente, só tenho a agradecer ao Parreira. Se estou aqui hoje, devo a ele. Na hora em que eu mais precisei, o Parreira me levou para o Inter e depois me trouxe de volta ao Corinthians. Isso sem falar nas suas qualidades como treinador, que são indiscutíveis". Os elogios foram recebidos com elegância pelo treinador, que devolveu a gentileza. "Esse grupo é fantástico. Durante os quatro meses de trabalho não houve um problema sequer. Nem atraso houve, quanto mais reclamação. Quanto a mim, acho que o trabalho do técnico não é inventar. É montar um time dentro das características de seus jogadores. Foi o que fizemos aqui. E também demos sorte, porque não tivemos problemas com expulsões e contusões. Dessa forma, pudemos manter a mesma equipe na grande maioria dos jogos e isso também ajudou". O maior risco para o segundo semestre são as propostas para os jogadores corintianos. Ricardinho, Kléber, Deivid e Fabrício são os alvos principais do mercado europeu. Dida também deve voltar ao Milan. O desmanche é uma ameaça que não pode ser desprezada.

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