Corinthians: Juninho e Rivellino ameaçados

Não é só o técnico Juninho Fonseca que pode ser demitido se o Corinthians perder para o São Paulo, no domingo. O diretor-técnico Roberto Rivellino também passou a correr o risco de perder o emprego se o time não reagir imediatamente. Hoje, apareceu o primeiro sinal evidente de seu desgaste no clube: a diretoria sugeriu que o dirigente pensasse um pouco mais antes das entrevistas. Na prática, porém, o recado soou como um cala-boca. Quem cumpriu a missão de doutrinar Rivellino foi o vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini, no final da tarde. Antes disso, Roque, o presidente Alberto Dualib e o vice-presidente Andrés Sanches fizeram uma reunião para avaliar o trabalho de todo departamento de Futebol neste começo de 2004. Os três decidiram que Juninho, Rivellino e a Comissão Técnica serão mantidos, por enquanto. Mas se as coisas não se encaixarem e o time perder para o São Paulo, domingo que vem, uma grande limpeza deve ocorrer, envolvendo até os principais nomes da Comissão Técnica. A diretoria não digeriu a forma como Rivellino vem se portando nas entrevistas. Além das críticas públicas ao trabalho de Juninho, que detonaram a crise após a derrota para a Portuguesa, o diretor-técnico tem insistido demais em frisar sobre a sua autoridade. Hoje, mais uma vez, ele deixou claro que o peso de suas decisões é maior do que a dos outros dirigentes. "Quem manda no Corinthians é o presidente. Agora, em certas posições, se tiver de tomar alguma posição mais drástica (em relação ao técnico Juninho), posso até me reunir com as outras pessoas (os dirigentes). Mas a decisão que mais pesa vai ser a minha, porque estou todo dia aqui e sou o responsável por tudo". Quando disse isso, pela manhã, no Parque Ecológico, Rivellino ainda não tinha sido ´enquadrado´ pela diretoria. Mas ele já sabia que a forma como ele se expressou na mídia tinha gerado insatisfação nos dirigentes. Não demonstrou a menor preocupação. "Se você falar a verdade, ser transparente, ofende as pessoas, então é o futebol que tem de mudar. Me deram carta branca para trabalhar. Não sou moleque de recado. Se não tivesse carta branca não iria perder o meu tempo no Corinthians". Depois do treino da manhã, Rivellino confirmou tudo o que vem dizendo desde o domingo, após o tropeço contra a Portuguesa. "Até aqui, o Juninho não vem agradando. Se ele não conseguir mudar a situação, vai ficar insustentável. Pode ser demitido? Pode. Todo treinador pode. É a cultura do futebol. Até o Parreira, campeão do mundo com a Seleção em 94, esteve no Inter e no São Paulo e foi mandado embora. Não encaixou.Isso acontece". Coincidência ou não, depois da conversa com Citadini, à tarde, Rivellino não quis mais saber de conversa com a imprensa. Saiu do Parque São Jorge no seu carro, pouco antes das 17h, e não falou com os repórteres que o seguiram até o Parque Ecológico do Tietê, onde o time voltou a treinar no período da tarde. Só o próprio Citadini, numa tentativa de não causar constrangimentos ao diretor-técnico, escolheu palavras suaves para explicar a conversa com Rivellino. "O Rivellino tem o pavio curto mas não é mau-caráter. O que ele falou, e a forma como ele falou, tem pontos positivos e pontos negativos. Mas isso eu não vou comentar com você".

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