Corinthians: mais R$ 2 milhões emprestados

O Corinthians pediu mais R$ 2 milhões emprestados para honrar hoje a sua folha de pagamento. Segundo apurou o JT no próprio Parque São Jorge, a instituição financeira que socorreu a diretoria, desta vez, foi o banco Santos. Além desse empréstimo, o clube já tinha obtido R$ 500 mil na FPF no mês passado. Com isso, a dívida corintiana ultrapassa os R$ 30 milhões, sem contar as inúmeras ações trabalhistas e os direitos de imagem devidos a jogadores e técnicos que passaram pela Fazendinha.O clube teve de recorrer a mais esse empréstimo bancário porque não tem mesmo de onde tirar dinheiro. A diretoria já recebeu antecipadamente as cotas da Globo, da Pepsi, da Nike e da Kolumbus até outubro. Isso significa que, sem perspectivas de receitas, novos empréstimos deverão ser feitos nos próximos meses.Um desafio paralelo para a diretoria tem sido arranjar avalistas. Consta que o vice-presidente de Futebol, Antonio Roque Citadini, que também é vice-presidente eleito, nunca aceitou bancar "papagaios". Antes de sua demissão, o vice-presidente Andrés Sanches era o homem que emprestava dinheiro ao clube e que avalizava os títulos bancários. Desta vez, sobrou para o outro vice eleito, Nesi Curi, que no passado já perdeu muito dinheiro "investido" no Corinthians.Antes do empréstimo de R$ 2 milhões, o clube teve de pagar R$ 600 mil somente de juros a outra instituição financeira. A situação pode ficar ainda pior se for confirmado o que se especula no Parque São Jorge: a diretoria tem descontado Imposto de Renda na fonte de seus funcionários, mas não estaria repassando o dinheiro à Receita.As ações trabalhistas contra o clube também proliferam. Amanhã, na Justiça do Trabalho, a audiência é com o médico Joaquim Grava, demitido por Citadini há cerca de dois anos. Grava pede R$ 3 milhões de indenização. Se ganhar a causa, promete pedir a penhora dos bens particulares do presidente Alberto Dualib."De acordo com a nova lei civil, o presidente é o responsável pelas dívidas do clube e deve honrar com os próprios bens os compromissos da entidade que ele dirige. E digo mais: não quero o dinheiro para mim. Tudo o que eu pegar vou investir numa contratação para o clube quando o Citadini sair", anuncia o médico.No ano passado, o Corinthians propôs um acordo com o médico. As partes chegaram a um acerto, mas o clube recuou, imaginando que Grava tinha retirado a sua ação na Justiça. Na terça-feira, Grava recebeu um telefonema de Nesi Curi, propondo o acordo antigo. Não aceitou. O dirigente ficou furioso e passou a ofendê-lo."Ele me chamou de bêbado e sem-vergonha", revela o médico. "Tenho testemunhas, pois estava atendendo a dois pacientes em meu consultório. Ainda me ameaçou dizendo que proibiria os jogadores do Corinthians de consultar comigo".Grava prometeu fazer um Boletim de Ocorrência. "Estou pensando em processar esse senhor?. O médico disse ainda que Nesi fez outras ameaças. "Disse que ganhando ou perdendo, eu não levaria nem uma Kombi velha do Parque São Jorge. Estou pasmo. Sabia que a situação do clube era dramática e que os dirigentes estavam totalmente perdidos. Só não imaginava que pudessem chegar a esse ponto".

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