Corinthians, malandro, quer irritar

Malandragem é assunto delicado em qualquer contexto. Dá idéia de algo ilícito, uma espécie de artifício para burlar regras preestabelecidas de bom comportamento. Os jogadores do Corinthians até concordam com tal conceito. Mas como o adversário é o São Paulo, fica a pergunta: E daí? "Quando ele me deu a cabeçada, demorei para cair. Quer dizer, só caí depois que vi que a juíza estava olhando para mim. Fiz uma cena e deu certo, ele foi expulso." A história é do zagueiro Marquinhos, ao lembrar o lance com o atacante Luís Fabiano, no último confronto entre as equipes, pelo Brasileiro de 2003, vencido pelos são-paulinos por 3 a 0. As reflexões do corintiano ilustram bem o clima que toma conta do Parque São Jorge para a partida de domingo. Questões éticas e de bom senso serão excelentes temas para serem debatidos depois do jogo. Até lá, a idéia é apelar para tudo o que for possível, desde que no final ajude o time. E nesse ambiente de rivalidade, vale sim (por que não?) elaborar estratégias contestáveis. Uma delas nem pode ser chamada de nova. Os atletas não falam abertamente - muito menos os integrantes da comissão técnica -, porém está nos planos do Corinthians aproveitar-se da famosa, pública e notória instabilidade comportamental de Luís Fabiano dentro do campo. Puxadas na camisa, cutucadas e sussurros impublicáveis ao pé do ouvido certamente são itens do cardápio de provocações. Se o "esquentadinho" do Morumbi vai morder a isca. Bom, só domingo a resposta será conhecida. Pelo menos o retrospecto é positivo. E lá vem Marquinhos para terminar a história. "Se a juíza não estivesse olhando para mim, eu não ia cair. Mas acho que ele (Luís Fabiano) vai se segurar. Afinal, ele foi o maior prejudicado", lembrou o zagueiro corintiano. "Além de ter sido expulso, ficou três ou quatro jogos suspenso e perdeu a chance de ser artilheiro da competição." E Juninho Fonseca? Mesmo com a corda no pescoço, o técnico corintiano procura adotar atitude "zen". Diz que ficar estressado só se justificaria caso assegurasse a vitória diante do arqui-rival. Como não tem essa garantia, procura abstrair-se das pressões. "Se Deus quiser vamos vencer e estarei aqui na terça-feira, trabalhando normalmente", afirmou. Édson Araújo - A única notícia (se é boa ou ruim só o tempo vai dizer) recebida hoje é que a diretoria confirmou a contratação do atacante Édson Araújo, ex-Portuguesa e que estava no Japão. O jogador já estava compromissado com o Mirassol, da Série A3 de São Paulo, mas acabou indo para o Parque São Jorge e assinou até o fim do ano. Ele já está registrado na FPF e será apresentado neste sábado pela manhã. Apoio - A diretoria do Corinthians manifestou-se solidária ao Flamengo. O vice-presidente de Futebol, Antonio Roque Citadini, afirmou hoje que não concorda com a decisão da Petrobrás. A estatal suspendeu o repasse da verba de patrocínio pelo fato de o clube carioca estar inadimplente com a União. "É uma questão que envolve apenas publicidade. Não tem nada de auxílio ou ajuda ao clube", afirmou o cartola alvinegro.

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