Corinthians não terá Tevez domingo

O presidente Alberto Dualib havia programado o banquete anual do Corinthians para ser aclamado e lançar a sua candidatura para mais um mandato. Só que o iraniano Kia Joorabchian roubou a cena no salão nobre do Parque São Jorge na noite de quarta-feira. O tratamento dos conselheiros e torcedores foi de adoração a Kia. Contrariado, o presidente teve de assistir a tudo calado. Enquanto isso, Tevez ganhou a queda de braço com a CBF e com a TV Globo. Mesmo tendo sido escolhido como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, ele avisou a organização do torneio que não estará no Morumbi, às 16 horas para a partida entre o Corinthians e a Seleção do Brasileiro. ?É muito bom ter todo esse carinho, viu ?! As pessoas entenderam que vim ajudar o Corinthians?, disse Kia coberto de marcas de batom ? resultado de beijos de tietes enlouquecidas. Ele levou uma hora e meia para andar da entrada do salão nobre até a sua cadeira. Foi parado para beijos e fotos. Lembrava um santo que todos queriam tocar. ?Eu tinha uma idéia sobre o Kia antes de conhecê-lo. Agora que vi o bem que fez para o Corinthians mudei radicalmente minha opinião. Está fazendo bom uso do poder que tem. É um bom menino?, elogiava Marlene Matheus. No ano passado, Marlene chorou e disse que Kia era o ?mafioso? que havia comprado o Corinthians. Atualmente, defende até a sua candidatura a presidente corintiano. Kia ofuscou completamente Dualib. O iraniano foi cumprimentar o presidente. O encontro foi frio, seco. ?Meu relacionamento com o presidente é profissional. Só profissional?, repetiu Kia Joorabchian. Percebendo que os fotógrafos registravam a cena, os dois mostraram o quanto são espertos e passaram a sorrir como veteranos atores. O técnico Antônio Lopes, que não tinha nada a ver com a briga, estava no banquete e reclamava: ?Preciso de reforços, muitos reforços para 2006. O calendário será apertado. Preciso de pelo menos mais cinco jogadores?, deixou escapar o treinador. O recado valia tanto para Kia como para Dualib. Se Kia foi o centro das atenções, o atual presidente conseguiu reforços importantes na luta para permanecer no cargo por mais três anos. O seu inimigo íntimo é o vice de futebol Andres Sanchez. O empresário avaliava a sua frágil chance de derrotar Dualib, em fevereiro, mês da eleição presidencial. Sanchez não sabe se faz como Lula, e se firma como um candidato da oposição, correndo o risco de ficar longe do poder, ou se ?finge-se de morto? e fica perto das decisões de Dualib e espera até 2009, quando provavelmente o presidente, com 88 anos, não deverá sair novamente como candidato. Sem prestígio, o polêmico vice-presidente Antônio Roque Citadini não apareceu no banquete. Assim como o conselheiro que jurava derrubar Kia e Dualib em 2004, Romeu Tuma Júnior. Quanto a reforços, Ricardinho virou prioridade. O meia está perto de ser contratado. Assim como Rodrigo Tábata e Renato e Ramon do Atlético Mineiro. Pelos indícios, a renovação de Fábio Costa deverá sair, mas será mais cara que o presidente da MSI esperava. O goleiro quer um gordo reajuste para continuar no clube e brigar pela Libertadores de 2006.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2005 | 19h24

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