Nilton Fukuda/Estadão
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Corinthians no paredão

Tiago Nunes tem de entender que o Corinthians não é o Athletico-PR

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 04h00

A pré-Libertadores é uma armadilha para os times brasileiros. Sempre foi. A necessidade de se classificar diante de, quase sempre, rivais desconhecidos ou de menor expressão na América do Sul coloca um fardo extremamente pesado nas costas dessas equipes. O Corinthians se vê nesta situação. Perdeu de 1 a 0 para o Guaraní, do Paraguai, em Assunção, e agora está pressionado para se classificar em casa na partida de volta, quarta.

A competição sul-americana fez com que o técnico Tiago Nunes escalasse um time misto para enfrentar a Inter de Limeira em Itaquera, ontem. Perdeu de novo por 1 a 0, jogou muito mal e já sente na pele a pressão de uma eliminação precoce na temporada.

Se for eliminado em casa antes mesmo de chegar à fase de grupos da Libertadores, o Corinthians terá de administrar sua primeira crise em 2020. A torcida vai cobrar e a convivência com ela será um inferno, que pode esquentar ainda mais se fracassar nos torneios do ano. O primeiro deles é o Paulistão.

Tiago Nunes sabe, ou deveria saber, onde pisou. Com todo respeito ao seu último emprego, o Corinthians não é o Athletico-PR. Em São Paulo, ele tem de se classificar na pré-Libertadores e também ganhar da Inter de Limeira.

Contra o time do Interior, o Corinthians teve 68% de posse de bola e não conseguiu furar o ferrolho do rival. Não passou nem perto disso. Teve nove escanteios e deu 607 passes. Mesmo assim, não foi melhor nem imponente.

Esse Corinthians que invade fevereiro, portanto, com um mês de preparação, começou enchendo seu torcedor de esperança, mas já caiu numa mesmice tática e técnica a ponto de sofrer as primeiras cobranças de seus seguidores, que dão de ombros para o fato de o time estar ainda se entrosando.

Tiago Nunes parece não beber da mesma água do flamenguista Jorge Jesus, que na temporada passada nos ensinou que é perfeitamente possível usar os mesmos jogadores nos jogos de domingo e quarta. As desculpas vão aparecer, mas já me antecipo a elas dizendo que não colam. Jogadores cansados, pernas “amarradas” pela carga de exercícios, desgaste com as partidas.

O fato é que esse Corinthians começou a derrapar. Jogou razoavelmente bem contra a Ponte Preta e Guaraní e não conseguiu vencer. Jogou mal diante da equipe de Elano ontem e perdeu.

Em campo, faltam jogadas. Vimos um festival de bolas alçadas na área, com bem poucas tramas de penetração e tabelas. Dribles e velocidade, na verdade, vimos mais no adversário de Limeira. A bronca da torcida teve motivos. Cada um em suas condições, os times brasileiros poderiam ousar mais. Talvez fosse isso que a torcida do Corinthians queria ver desde o início do ano. O modelo mostrado por Flamengo e Santos em 2019 ficou no imaginário de todos nós, e era isso o que esperávamos ver nos times em 2020.

De certa forma, houve um sentimento generalizado de que o exemplo a ser seguido era o dessas duas equipes, não por acaso, primeira e segunda colocadas no Brasileirão.

Não me refiro à qualidade propriamente dita dos jogadores, mas a coragem de jogar, a ousadia de enfrentar seus oponentes, a paixão durante os 90 minutos, a dedicação e o empenho, menos medo de perder.

Até agora, esse Corinthians de Tiago Nunes passa longe desse modelo. E não é o único dos grandes de São Paulo a dobrar a esquina da mesma forma que terminou o ano passado. O Palmeiras deixa a desejar em alguns momentos das partidas, erra demais na defesa e tem seus momentos de apagão e apatia. O São Paulo, de Fernando Diniz, continua o mesmo de 2019. Não muda. Teve alguns momentos de mais lucidez neste ano antes de voltar a entrar em parafuso, com os mesmos defeitos técnicos e táticos, com jogadores que não funcionam e grupo que não reage.

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