Corinthians: ordem é estancar prejuízo

Se ainda não chegaram a um consenso sobre a elaboração do novo contrato, representantes do Corinthians e do fundo norte-americano de investimentos Hicks, Muse, Tate & Furst (HMTF) já definiram um detalhe: o acordo só será possível quando a Corinthians Licenciamentos, empresa criada e administrada pelos norte-americanos para cuidar da marca Corinthians, e o clube estiverem com suas finanças equilibradas. O prazo para que isso aconteça é 2005.Até lá, os dirigentes corintianos vão ter de se esforçar para sanear o déficit orçamentário da área social do clube, hoje calculado em, aproximadamente, R$ 1,2 milhão por mês. O ?rombo? é um dos maiores entraves na negociação. Explica-se: parte do dinheiro direcionado pelos norte-americanos para o futebol era utilizada para cobrir essa diferença, o que não é mais admitido pelos investidores.Assim, dirigentes que defendem a separação do futebol do resto do clube tentam convencer os responsáveis pelos demais departamentos, como vôlei, basquete e remo, de que essas modalidades devem ser mantidas com recursos próprios. "Acontece que estamos enfrentando muitos problemas de inadimplência no pagamento das mensalidades, que é a maior fonte de recursos da área social", afirmou um funcionário da administração do clube. O próprio vice-presidente de futebol do clube, Antonio Roque Citadini, já havia mencionado o problema. "Uma das coisas que nos prejudicam são os condomínios que, cada vez mais sofisticados, diminuem o interesse das pessoas em se associar ao clube."Enquanto isso, a equipe de executivos da Hicks, hoje comandada por Flávio Maria, trabalhará para estancar os prejuízos da Corinthians Licenciamentos. Desde sua criação, há três anos, a empresa tem ?buraco? de cerca de US$ 6 milhões no orçamento. Além disso, carrega o estigma de não conseguir difundir a imagem do time nacional e, sobretudo, internacionalmente, mesmo depois da conquista do Mundial de clubes da Fifa, em janeiro de 2000.A eventual classificação da equipe para a Copa Libertadores da América não vai interferir no rumo das negociações. "Isso não tem nada a ver com o que está sendo conversado", afirmou Citadini.

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