Corinthians: parceria com Hicks agoniza

As conversas veladas, de bastidores, estão cada vez mais abertas. E há uma certeza: a aventura dos americanos da Hicks, Muse, Tate & Furst (HMTF) no Brasil está mesmo chegando ao fim. O primeiro aviso foi o fechamento da emissora de TV paga PSN. O segundo, a substituição às vésperas do carnaval do homem forte da HMTF, o texano Richard ?Dick? Law, pelo carioca Flávio Maria, ex-diretor da PSN. Principal parceiro dos norte-americanos no Brasil, o Corinthians começa a se preparar para voltar a ser solteiro. Feitas as contas, sobrarão um elenco modesto e nenhum dinheiro em caixa no Parque São Jorge. Algo inimaginável há alguns meses aconteceu. Law foi demitido, e por telefone, como parte de processo de reestruturação do grupo na América Latina. O fundo de pensões investiu cerca de US$ 15 bilhões em ramos variados, como telecomunicações, internet e marketing esportivo e só vem colhendo prejuízos, provocados principalmente pela crise na Argentina. No Brasil, os americanos começam a se convencer de que a solução mais indicada para a diminuição de perdas é se retirando do futebol. A cúpula da empresa vem se reunindo freqüentemente nos últimos dias para chegar a um veredicto. A idéia é adiar um pouco o rompimento do contrato, que vence apenas em 2009, mas há um setor que exige abandono imediato. Já prevendo mudanças, a diretoria corintiana vem, desde o ano passado, reduzindo os gastos. O futebol consumia, no início de 2001, cerca de R$ 3,5 milhões por mês, valor que caiu para R$ 2,5 milhões, com a contratação de jogadores mais baratos e a redução salarial da comissão técnica. "Nos últimos dois anos, o clube trabalha com a possibilidade de ter cada vez menos receitas", afirmou Antônio Roque Citadini, vice-presidente de Futebol do clube. Essa diminuição de receita a que se refere ocorrerá com a saída do parceiro, que paga os R$ 2,5 milhões mensais ao clube para o orçamento do futebol. O Corinthians poderia bancá-lo com o dinheiro da televisão, de bilheteria e do patrocinador, a Pepsi, que atualmente fica com a Hicks. Com um pouco de esforço, o clube conseguirá pagar as contas, mas como ficará o time? E os reforços? "Não há reserva em caixa", confirmou Citadini. "Mas nenhum clube trabalha com reserva hoje." Com esse quadro, o torcedor terá de se conformar com equipes limitadas, repletas de jovens, sem estrelas. Sem os jogadores emprestados e os que pertencem à Hicks, o Corinthians teria de se contentar com um time fraco, que dificilmente brigaria por títulos. O contrato entre o clube o grupo americano não prevê cláusula de multa para rescisão, o que pode facilitar um rompimento. "Não sei se vale a pena para a Hicks sair, porque o valor do contrato com Corinthians e Cruzeiro já foi pré-pago", afirmou, hoje, Dick Law para a Agência Estado. O ex-chefe da Hicks no Brasil não esconde o abatimento e prefere não confirmar que tenha sido demitido. "O fim da PSN provocou muitas especulações." Law, no entanto, deixou as palavras escaparem e falou, em alguns momentos, como ex-executivo da empresa. Aborrecido com a falta de retorno financeiro no esporte, acredita ter encontrado a principal razão pelas quais o futebol brasileiro só dá prejuízo nos dias atuais. "O problema dos clubes no Brasil é que as despesas são fixas e as receitas, variáveis."Quem é de quemCorinthians - Rubinho, Batata, Kléber, Fabrício, Renato, Ricardinho e Gil.Hicks Muse - Doni, Rogério, Fábio Luciano, Fabinho, Marcelinho, Luciano Ratinho, Deivid, Luizão e Leandro.Emprestados - Dida (Milan) e Scheidt (Celtic).

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