Corinthians pede socorro

O Corinthians não vai contratar o atacante argentino Ortega por falta de dinheiro. A diretoria descartou o negócio porque a situação financeira do clube beira o caos.O clube paga somente de juros a um banco privado R$ 600 mil por mês. A dívida total é de R$ 27 milhões, fora uma dezena de ações trabalhistas que pode chegar a R$ 10 milhões. Para complicar ainda mais a situação, a empresa da família Dualib, a Rolex, que fabrica artefatos de borracha, e está em nome de seu filho, Nelson Real Dualib, pediu concordata, e o presidente Dualib, como avalista, ficou impedido de assinar pelo clube qualquer espécie de transação bancária.No mesmo dia em que Ortega foi oferecido (por R$ 1,3 milhão na mão e salário de cerca de R$ 120 mil), o desafio maior era obter um empréstimo de R$ 1,8 milhão para honrar hoje a folha de pagamento.O vice-presidente Andrés Sanches, que fez um adiantamento de R$ 2,5 milhões em janeiro e foi ressarcido pelo dinheiro que entrou da Nike no mês seguinte, desta vez não pôde fazer um novo empréstimo porque sua empresa, que tem uma filial, a Sol Dasla, em Feira de Santana, na Bahia, teve suas instalações inundadas e o dinheiro disponível para emprestar ao Corinthians teve de ser reinvestido nos negócios.Dualib e companhia ficaram profundamente irritados com a negativa de Andrés. A ponto de sua permanência no cargo ter ficado ameaçada. A qualquer momento ele poderá sair - por vontade própria ou por decisão do clube.Da Pepsi, outra parceira do Corinthians, que paga R$ 600 mil por mês para estampar a sua logomarca na camisa do time, a diretoria não pode pedir mais nada emprestado. A multinacional de refrigerantes já adiantou os pagamentos até julho.Sem ter a quem recorrer dentro do próprio Parque São Jorge, os dirigentes apelaram para a Federação Paulista de Futebol e o Clube dos 13. Dualib arranjou o dinheiro para a folha de pagamento na quarta-feira. Os jogadores e os funcionários do clube podem ficar tranqüilos: o dinheiro estará na conta hoje. Mas o saldo devedor deve subir para R$ 29 milhões.A folha do departamento de Futebol Profissional, hoje, é de R$ 1,3 milhão. A dos funcionários, outros R$ 500 mil, fora as despesas fixas com água, luz, etc. Por isso, o Conselho Deliberativo não se conforma como Dualib continua pagando altos salários para alguns de seus vice-presidentes, chamados no clube de marajás. Alguns, chegam a receber mais de R$ 25 mil por mês.Por isso, Ortega, França e Djalminha, entre outros craques, continuam sendo apenas um sonho.

Agencia Estado,

05 de março de 2004 | 09h44

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