Corinthians pode afastar Marcelinho

Estourou outra crise no Corinthians, que pode levar a diretoria a mandar Marcelinho embora, por imposição da maioria dos jogadores. O meia foi descoberto hoje como o jogador que levou para a imprensa a notícia de que Ricardinho era o leva-e-traz da diretoria, passando tudo o que acontece nos bastidores do elenco para a cúpula do clube. Por causa desse comportamento, Ricardinho, segundo o que foi descoberto hoje, teria sido pressionado por Scheidt, Rogério, Paulo Nunes e Batata, na sexta-feira. Ricardinho teria até sofrido agressão dos companheiros. O episódio foi desvendado hoje durante o programa de esportes do meio-dia da rádio Jovem Pan. O vice-presidente de Futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini, e o técnico Wanderley Luxemburgo tentaram evitar o assunto, sob a alegação de que o Corinthians precisaria se preocupar com a estréia na Copa Mercosul contra o Colo Colo, quinta-feira, em Santiago do Chile. Marcelinho não viajou com a delegação. Suspenso, por causa da expulsão contra o Olimpia, na competição do ano passado, o jogador ficará treinando em São Paulo. O meia aproveitou para sumir hoje à tarde. "O caso é grave, lamentável e exige uma decisão severa", disse Citadini, antes do embarque da delegação. "Na volta do Chile vamos resolver o caso. Não podemos antecipar o que será feito. Por enquanto, Marcelinho vai ter de cumpir a programação de treino até a nossa volta." O jogador terá de treinar amanhã às 10 horas no Centro de Treinamento de Itaquera. Tudo começou na sexta-feira, durante uma reunião entre os jogadores, em Extrema, sul de Minas, onde a equipe estava concentrada, para discutir problemas do elenco. Chegou à imprensa a notícia de que durante a reunião, Ricardinho teria sido ameaçado de agressão, por causa da fama de ser uma espécide de "dedo-duro" da diretoria. Ricardinho desconfiou que a "invenção" da notícia havia sido passada para a imprensa por alguém do grupo, e prometeu apurar tudo. "Minha imagem foi denegrida", disse Ricardinho. Hoje, ao participar ao vivo do programa da Jovem Pan, Ricardinho ficou sabendo que Marcelinho fora quem "plantara? a notícia. Marcelinho havia telefonado para alguns amigos da imprensa, entre eles Aquiles Franzotti, da TV Bandeirantes, que iria produzir um programa de variedade com Marcelinho na emissora. Franzotti confirmou que recebeu o telefonema de Marcelinho. "Estou surpreso", disse Ricardinho, que evitou repercutir o caso, antes de apurar melhor toda a história. Ricardinho admitiu que no momento não fala com Marcelinho. Os dois mantém um relacionamento estritamente "profissional". O zagueiro Batata, um dos envolvidos na história, também afirmou hoje que antes de qualquer decisão é preciso ouvir todos os lados no episódio. "Não podemos ficar só no que disse uma pessoa", afirmou Batata, referindo-se ao depoimento de Franzotti. "Mas temos de levantar tudo. Afinal, o meu nome está comprometido nisso." Batata aparece como um dos supostos jogadores que tentaram agredir Ricardinho. "É uma mentira muito grande. Sou amigo do Ricardinho, seu companheiro de quarto na concentração e jamais faria isso", afirmou. "Houve realmente uma reunião entre os jogadores para discutir vários assuntos do elenco. Mas não houve briga, muito menos tentativa de agressão", acrescentou. Luxemburgo disse que só na sexta-feira vai se pronunciar sobre o caso. O técnico confirmou o esquema com três zagueiros (Marquinhos, Scheidt e Batata) contra o Colo Colo. A novidade será a estréia de Fabinho, ex- São Caetano, como ala direita.

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