Diego Vara/ Reuters
Diego Vara/ Reuters

Corinthians promete grandes reforços, mas sem altos salários

Diretoria terá 2019 para mostrar na prática como reforçar o elenco e, ao mesmo tempo, reduzir a folha salarial dos atletas

João Prata, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2018 | 04h30

O diretor financeiro do Corinthians, Matias Romano Ávila, concedeu entrevista coletiva ontem no Parque São Jorge e projetou um 2019 dos sonhos para o torcedor: prometeu a “contratação de jogadores de primeira linha”, a chegada de um patrocinador master já para janeiro e também espera anunciar o naming right da arena durante o ano.

A realidade é mais complicada. Os jogadores de primeira linha, por exemplo, terão que se adequar à nova realidade do clube, que estipulou teto salarial aos atletas. Ávila não citou nomes e também não informou quanto dispõe para buscar as contratações. Justificou que atrapalharia no momento da negociação. “Para trazer um grande jogador não depende apenas de oferecer um alto salário. O clube pode realizar parcerias, oferecer um valor para venda futura. Há muitas formas.”

Até agora, o Corinthians confirmou quatro reforços que são mais apostas do que “jogadores de primeira linha”, citados por Ávila: o lateral-direito Michel Macedo, o volante Richard, além dos atacantes Gustavo Mosquito e André Luis. Os atletas que o clube negocia são o atacante Luan, do Atlético-MG, o volante Ramiro, do Grêmio, o meia Sornoza, do Fluminense, e o zagueiro Leandro Castán, do Vasco.

No orçamento de 2019, aprovado pelo Conselho Deliberativo na noite de terça-feira, também não há registro sobre quanto o Corinthians destinará para conseguir esses reforços. Há a projeção de reduzir a folha salarial no futebol profissional de R$ 156 milhões em 2018 para R$ 134 milhões em 2019. Também há a expectativa de o clube receber R$ 54 milhões com a negociação de atletas e a estimativa de garantir ao menos R$ 240 milhões com os direitos de TV. 

“É uma projeção moderada. Podemos ganhar mais com as negociações, como foi neste ano, que faturamos R$ 110 milhões. Com a TV a mesma coisa. A gente está na torcida para que comprem muito o pay-per-view dos nossos jogos.”

Outra forma de receita que pode ajudar o clube a investir em reforços é conseguir fechar com um patrocinador master. “Estamos trabalhando para iniciar o ano com ele (patrocinador master). Como não sou do marketing e isso é um assunto que o (Luis Paulo) Rosenberg vem tratando, não posso dar detalhes”, explicou Ávila.

O Corinthians não consegue preencher o espaço de maior valor em sua camisa desde abril de 2017, quando encerrou a parceria com a Caixa. O valor anual na época era de R$ 30 milhões. Sem esse dinheiro, o clube fechará 2018 com déficit de cerca de R$ 18 milhões. 

A expectativa da diretoria ao projetar 2018 era arrecadar R$ 87 milhões com patrocinadores. Conseguiu R$ 38 milhões. Em 2019, espera ganhar R$ 64 milhões com patrocínios e fechar a temporada no azul, com superávit de R$ 650 mil.

Naming right - Outra meta da atual gestão para 2019 é conseguir finalmente encontrar um marca que queira bancar nome do estádio em Itaquera. Ávila disse que esse dinheiro servirá para abater o financiamento do clube com a Caixa. O Corinthians financiou R$ 470 milhões e paga R$ 6 milhões ao mês em parcelas até 2028. 

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