Corinthians quer explorar rivalidade

Depois de algumas conversas com o técnico Juninho Fonseca e parte da comissão técnica, os jogadores do Corinthians, sobretudo os mais experientes, chegaram a uma conclusão: diante do caos instalado no Parque São Jorge durante a semana, só restou um ponto positivo no qual se apegar para o clássico de domingo, contra o São Paulo: a rivalidade. E a estratégia já foi traçada entre o volante Rincón, o lateral-direito Rogério (que está fora da partida, mas ajuda nas conversas) e o goleiro Fábio Costa. Os três assumiram de vez a condição de líderes e trabalham para tentar envolver os demais atletas em um espírito de rixa. Uma das ações é até curiosa: qualquer referência ao adversário deve trazer o substantivo "bambis" ou "bambizada", alusão à fama dos são-paulinos de serem, digamos, mais sensíveis. A provocação ganhou força na época em que Vampeta estava no clube e, ao que tudo indica, virou moda. Outro aspecto explorado é o tratamento dado pela mídia aos arqui-rivais. Os corintianos vão repetir à exaustão, em uma espécie de lavagem cerebral, que no Morumbi só se destaca notícias boas, enquanto nas suntuosas instalações do Parque Ecológico do Tietê tudo o que se faz é caçar crises. Porém, existe um detalhe. Nos bate-papos só não vale lembrar que o time do técnico Cuca é o líder do Grupo 1 no Campeonato Paulista, estreou com vitória na Taça Libertadores da América e vai jogar completo. Já o Corinthians é sexto no mesmo grupo, está fora da zona de classificação, não demonstra padrão de jogo e Juninho Fonseca tem um time desfigurado, com pelo menos cinco desfalques. Hoje, por exemplo, foi confirmado que Gil, com inflamação no púbis, e Rodrigo, que sofreu lesão na musculatura da coxa direita (três a quatro semanas afastado), não jogam. Rogério, Marcelo Ramos e Rafael Silva também estão fora. O Corinthians deve entrar com a seguinte formação: Fábio Costa; Pingo, Anderson, Marquinhos e Moreno; Rincón, Fabinho, Fabrício e Samir; Dinélson e Régis. Sem norte - Juninho Fonseca não sabe para onde correr. O treinador é o mais decepcionado com a fase do Corinthians. Sua forma de trabalho não encontrou respaldo entre o grupo, não agradou a diretoria e o deixou a um passo da demissão. Pior. Juninho sabe que vitória no clássico lhe dá um respiro no cargo, mas está longe de garanti-lo até o fim de seu contrato (dezembro deste ano). Já é consenso no Parque São Jorge que ainda não possui o perfil de técnico da equipe principal.

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