Rafael Arbex/Estadão
Organizadores da Arena Corinthians querem transformar o local em um complexo de entretenimento.  Rafael Arbex/Estadão

Corinthians quer mostrar que a arena não é só um estádio de futebol

Negociar espaços livres e criar alternativas para aumentar as receitas com o estádio de Itaquera em dias sem jogos é o desafio dos gestores do espaço

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2017 | 17h01

Um dos desafios do Corinthians para os próximos anos é conseguir pagar a arena de Itaquera sem que isso prejudique as finanças do clube. Para tentar entender como isso pode ser possível, o ‘Estado’ visitou a casa alvinegra e conheceu alguns dos setores que já estão rendendo receitas, com eventos que vão além de um jogo de futebol, ou que podem vir a render. E constatou que o grande desafio dos gestores do estádio é fazer com que ele gere renda em dias que não há partida.

Vale lembrar que todo o dinheiro arrecadado na arena vai direto para o fundo de investimento que paga a obra, ou seja, não entra nos cofres do clube. Em dias sem jogos, o carro-chefe da arena são os camarotes, que podem ser usados para eventos corporativos. O espaço varia de R$ 200 mil a R$ 800 mil por ano, de acordo com tamanho e número de lugares, dentre outros fatores.

A arena tem dois estacionamentos que podem receber shows com até 45 mil pessoas. O estádio tem alguns espaços sendo utilizados, como lanchonetes e lojas que vendem produtos do clube. Mas ainda há várias áreas livres, cujo aluguel varia de R$ 5 mil a R$ 100 mil.

Até casamento já foi realizado no local. Vale praticamente tudo para fazer a Arena Corinthians se tornar rentável e mostrar que não é apenas um estádio de futebol. A ideia é criar diversas ações para transformar o espaço em um polo de entretenimento ao público, em especial, da Zona Leste. 

Os representantes da arena contam, com orgulho, que o estádio já deixou um legado para a região. Do total de funcionários que trabalham no local, 70% moram na Zona Leste.

Existem dois pontos que atrapalham a evolução do negócio. O primeiro deles é o fato de alguns setores do estádio não estarem 100% prontos, pois a Odebrecht não finalizou a obra. Os setores Norte e Sul têm espaços não concluídos e que resultam em prejuízo para a arena. “É algo que precisa ser conversado entre os responsáveis, pois é um prejuízo irrecuperável. É como o ingresso de um show. Você não vendeu, não tem como recuperá-lo”, lamentou o superintendente de operações da Arena, Lúcio Blanco. 

Outro ponto é a desconfiança que ainda ronda a arena. Blanco, no entanto, garante que as notícias negativas relacionadas ao estádio não impactam nas negociações. “Quem conhece a arena sabe que não é um estádio que vai cair, como falam. A gente promove visita de possíveis investidores para eles verem como é aqui”, explicou.

Match day

Quando tem jogo, o aluguel pontual de um camarote (para o dia) custa de R$ 12 a R$ 15 mil, dependendo do setor e da importância do confronto. A bilheteria é uma das principais fontes de renda – média de R$ 1,5 milhão de renda líquida por partida. E quem anuncia nos painéis de Led que separam o setor superior do inferior das arquibancadas paga R$ 8 mil e vê sua marca aparecer 15 vezes.

Há outros atrativos, como o Esquenta da Fiel. O torcedor compra o ingresso para qualquer setor, paga mais R$ 10 e tem acesso a uma parte do estacionamento onde ocorrem shows e venda de comidas e bebida. Quem quer algo mais reservado tem a opção de comprar um ingresso por R$ 390 (em média) e ter direito a ficar em camarote com comida e bebida à vontade. 

Ao mesmo tempo em que criar receitas é uma obsessão, reduzir custos também é primordial. Uma das formas encontradas é por meio de permutas. “A equipe que cuida do ar-condicionado tem um camarote”, contou Thiago de Rose, gerente de planejamento da arena.

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Arena Corinthians tem prioridade distinta da casa do rival Palmeiras

Casa alvinegra evita realização de eventos no gramado para não deixar o time longe de seus domínios

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2017 | 17h01

Arena Corinthians e Allianz Parque travam uma disputa velada, para ver qual é a mais importante na realização de eventos. Uma diferença fundamental é que na casa corintiana, a prioridade pelo futebol faz com que o gramado seja uma opção rara de ser usada para atrações.

A prioridade é o time do Corinthians. Por isso, não existem shows ou qualquer outra atividade no campo. A exceção será no dia 16 de dezembro, com a realização do Monster Jam, um show de acrobacias de caminhões. A ideia dos organizadores era realizar o evento em outubro, mas o Corinthians conseguiu adiar para dezembro, pois os torneios estarão paralisados e já iriam trocar o gramado. 

Desde o início da construção do estádio, o discurso é de que o futebol sempre será prioridade. Assim, o clube pode até deixar de receber boas cifras com a realização de shows, mas sempre poderá jogar em casa, algo que tem se mostrado um ponto favorável, sob o ponto de vista técnico. “Não somos loucos de tirar o Corinthians do seu estádio. Já vimos alguns casos, em outros times, que isso não deu muito certo e não queremos que isso aconteça aqui também”, disse Thiago de Rose, gerente de planejamento da arena.

A tendência é que durante a Copa do ano que vem, a arena alvinegra receba mais eventos no gramado, já que não haverá competições em andamento durante o torneio mundial. 

No Allianz Parque, diversas vezes o Palmeiras já teve que jogar longe de seus domínios, pois a arena estava sendo usada para outros eventos. Só neste ano, isso já aconteceu duas vezes. A ideia da casa alviverde é a realização de grandes shows, enquanto o estádio corintiano tenta abordar mais a parte corporativa. De Rose acredita que as duas arenas podem trabalhar paralelamente. “Somos dois produtos bem diferentes. O que tem aqui não tem lá e vice-versa. E estamos em zonas bem diferentes da cidade”, comparou.

QUATRO PERGUNTAS PARA LÚCIO BLANCO, SUPERINTENDENTE DE OPERAÇÕES DA ARENA CORINTHIANS

1. Como transformar a arena em um local que não tem só jogo de futebol?

Nosso maior desafio não são os dias de futebol, mas os outros 320 do ano. O jogo é algo que naturalmente vem evoluindo e sendo eficiente em relação ao público. Os eventos que a gente pode organizar estão em evolução. No ano passado, foram cerca de 100 eventos e nesta temporada o número deve ser ainda maior.

2. Qual tem sido o maior desafio para atrair eventos para a arena?

Iniciamos o processo depois da Copa e com a arena em transformação. Temos um quadro de colaboradores abaixo do que é considerado ideal, mas fazemos um trabalho em que, conforme a gente vai evoluindo, incorporamos mais pessoas à equipe. 

3. As notícias negativas que saem da obra atrapalham nas negociações?

Grande parte do mercado, principalmente o corporativo, conhece a arena. A gente sempre recebe visitas e as pessoas, mesmo não sendo engenheiras, percebem que o estádio não vai cair, como dizem. A gente sente que a desconfiança é maior em quem está mais distante e só tem como referência as notícias. 

4. Quanto o comportamento da torcida ajuda no crescimento do estádio?

Isso é algo que temos de valorizar muito. Mesmo nos momentos mais complicados, de eliminações e derrotas, o comportamento foi muito bom. Derrubaram a tese de que torcedor é tudo vândalo. Isso mostra que torcedor, bem tratado, respeita o estádio.

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