Corinthians: russo é investigado na Suíça

A MSI, a misteriosa empresa que está negociando uma participação no Corinthians, pode estar sendo dirigida pelo polêmico empresário russo Boris Berezovski, investigado por lavagem de dinheiro na Suíça, perseguido pela Justiça russa e hoje vivendo como um refugiado político na Inglaterra. O russo é considerado como um dos maiores inimigos políticos do presidente do país, Wladimir Putin, e é acusado de fraude quando na empresa aérea Aeroflot.Segundo jornalistas de Moscou entrevistados pelo Estado, a relação de Berezovski com o aparente dono da MSI, o iraniano Kia Joorrabchian, teria sua origem na compra do controle acionário do jornal Kommersant, de Moscou. Funcionários do diário confirmaram a participação do magnata na empresa e apontaram que Berezovski ainda possui outros dois jornais na Rússia.Mas o porta-voz de Berezovski, Wladimir Voronkov, afirmou ao Estado que nunca havia ouvido falar na MSI, no iraniano e muito menos na negociação com o Corinthians. "Desconheço essas informações", afirmou o russo. O assessor do empresário, porém, se negou a responder se Berezovski pretendia fazer investimentos no setor de esportes. "Não comentamos negócios", afirmou. Jornalistas russo, porém, garantem que o empresário é o padrinho político do magnata russo Roman Abramovich, que há dois anos comprou o time britânico do Chelsea.No escritório de Berezovski em Londres, o ambiente é ainda mais sigiloso. A secretária do empresário que atendeu a um telefonema feito por este jornal se recusou a identificar de onde estava falando. Questionada se o número do telefone era da MSI, a funcionária simplesmente respondeu: "não podemos fazer comentários".LAVAGEM - Berezovski ainda é investigado na Suíça por lavagem de dinheiro. Documentos obtidos pelo Estado das cortes de Genebra mostram que o russo teve suas contas bloqueadas nos bancos Julius Bär, de Zurique, e Credit Suisse, de Lausanne. Os documentos mostram que o russo é acusado de ter desviado milhões da Aeroflot, empresa aérea estatal do país.Segundo o documento 1A.84/2000 da Primeira Corte de Direito Público da Suíça, o russo teria desviado em apenas uma operação US$ 400 milhões, seguido por movimentações de US$ 200 milhões e US$ 100 milhões para contas secretas da empresa Forus Service, administrada por ele mesmo.A última polêmica envolvendo o russo foi a publicação do livro do jornalista Paul Klebnikov, que acusou Berezovski de ter ajudado no financiamento da rede terrorista de Ossama Bin Laden na Chechênia. O jornalista acabou sendo morto há menos de três meses. Entrevistado no dia 10 de julho deste ano pela agência russa Ria-Novosti, Berezovski afirmou que o jornalista teria sido vítima da "falta de exatidão em sua forma de informar sobre os fatos". Segundo ele, o jornalista era "arbitrário e inventava muitos fatos".

Agencia Estado,

25 de agosto de 2004 | 17h28

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