Nilton Fukuda/Estadão
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Corinthians, Santos e São Paulo têm troca de guarda na presidência e muito a melhorar

No Parque São Jorge, Duílio Monteiro Alves já foi eleito no lugar de Andrés Sanchez por três anos

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2020 | 05h00

Três clubes de São Paulo vão trocar de presidentes. Corinthians, São Paulo e Santos começam 2021 sob nova administração. O cargo é o mais importante na hierarquia de um time de futebol. O presidente é aquele que manda em tudo, que dá a última palavra, que contrata e demite treinador, que libera verba para reforços, mas também aquele que se apresenta ao mercado com seus planos de gestão, suas ideias de investimento e estratégia para pagar a contas e, principalmente, ganhar títulos importantes.

Portanto, o cargo é pra lá de importante. O presidente é o papa dos cardeais, é o comandante do legislativo, executivo e judiciário e da vida social do clube. Sua retidão não pode ser questionada, nem mesmo pela oposição. Quando eleito, estarão todos de olho nos seus passos e qualquer um em falso fará sua credibilidade cair por terra. Se isso acontecer, a gestão já era.

O Corinthians já escolheu o seu novo presidente. É Duílio Monteiro Alves. Ele vai governar o clube por três anos. Seu orçamento anual beira os R$ 500 milhões. Portanto, em três temporadas, o novo presidente vai ter à disposição R$ 1,5 bilhão. Duílio é da situação. Vem da gestão de Andrés Sanchez, atual presidente, mas também esteve junto com Mário Gobbi em diretorias passadas, quando ele era o chefe.

São Paulo e Santos decidem a troca de guarda no mesmo dia, 12 de dezembro. Na Vila Belmiro, seis postulantes querem o cargo. No Morumbi, há dois candidatos para comandar o clube.

O Santos vive seu pior momento político dos últimos anos, e olha que alguns presidentes que passaram pela Vila tiveram suas gestões reprovadas pela opinião pública, deixaram o cargo sob o olhar da desconfiança e do benefício próprio. José Carlos Peres sofreu afastamento do cargo, passando o bastão para seu vice, Orlando Rollo. Passando não, porque ambos não se bicam. Rollo teve de pegar o bastão no chão. O clube tem problemas financeiros graves, atraso nos salários, débitos com a Fifa, necessidade de vender jogador e nenhuma previsão estruturada para 2021. Mesmo assim, seis candidatos querem comandar o Santos. A urna, muito provavelmente, vai mostrar uma colcha de retalhos, caso nenhum deles desista do pleito até lá.

O eleito, seja ele quem for, não terá muitas margens de manobra. Terá de apostar numa gestão austera e arrumar dinheiro para honrar as dívidas. Cheiro de encrenca ao ganhador.

O São Paulo tem nas urnas uma formação clássica: situação contra oposição. Júlio Casares e Roberto Natel. Ambos estão em campanha há tempos.

Em comum, os três clubes paulistas têm dívidas para pagar, compromissos com credores, necessidade de formar e vender jogador da base, manter a máquina funcionando para tentar ganhar competições. Taças significam prestígio e dinheiro, muito dinheiro. O São Paulo é quem está em jejum maior.

Do seu presidente, o torcedor espera o trivial, ou pelo menos o que deveria ser trivial para manter o clube funcionando. Mas tudo parece difícil na gestão do futebol, mesmo quando a guarda é trocada. O torcedor pede pouco. Ele quer o presidente cercado de pessoas honestas e competentes. Que não pegue no caixa o que pertence ao clube. Que faça as transações à luz do dia. Que forme times competitivos e não compre atleta para ficar encostado no elenco, nem faça favores a empresários. Por fim, que mantenha a parte social andando, com disposição para apostar em outras modalidades, de modo a não viver esportivamente somente do futebol. Há ainda todo um estádio para cuidar.

Nesse quesito, o Santos abortou uma nova Vila Belmiro idealizada por José Carlos Peres. O desafio do novo presidente é fazer a atual lotar, claro, quando os portões estiverem abertos novamente ao público e a pandemia estiver controlada com o uso de uma vacina. Bilheteria ativa, e estádio cheio, é dinheiro no bolso.

O São Paulo cuida razoavelmente do Morumbi. Não tão moderno quando o torcedor gostaria, mas tradicional. O Corinthians tem dívida de R$ 1,1 bi de sua arena para pagar à Caixa e Odebrecht. Nessa troca de guarda, os eleitos terão muito o que fazer. Tomara que eles façam.

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