Corinthians sem pressa para acertar o time

O time do Corinthians hoje não é bom, mas daqui a uns 40 dias... O meia Ricardinho pode fechar contrato nas próximas semanas; depois, se tudo der certo, terá de adquirir ritmo e recuperar a forma física. O lateral-esquerdo Kléber talvez volte em 30 dias, se o Hannover alemão não o quiser. E enquanto não há nada de concreto com outros nomes como Deivid, Tucho, Kuki e outras especulações, o Campeonato Brasileiro segue, implacável. O corintiano que se acostumou a soluções rápidas e reforços imediatos em épocas de crise tem duas opções: ou muda de time ou arranja paciência. Cabe uma análise do atual procedimento da diretoria ? e por diretoria do Corinthians leia-se Antonio Roque Citadini. O clube parece ter se aproveitado do episódio do Aeroporto de Cumbica, em março, quando alguns atletas foram agredidos com ovadas pela organizada Gaviões da Fiel, para romper de vez com sua torcida. Dias depois, novo pretexto: o carro onde estavam Rincón, Fábio Costa e Valdson foi apedrejado. O rompimento vai muito além da proibição do acesso aos treinos da equipe. Ao que tudo indica, a diretoria está mandando às favas a pressão e a cobrança dos torcedores e mostrando que quem dita o ritmo das mudanças, a partir de agora, é ela. Se não fosse isso, Citadini não teria elogiado a equipe após a derrota na estréia do Brasileiro, contra a Ponte Preta, por 3 a 2. ?Não há por que ter tanta pressa, a evolução vem naturalmente.? O técnico Oswaldo de Oliveira justifica tal comportamento. Segundo ele, a comissão técnica está afinada com a diretoria no raciocínio de que é preciso dar tempo para que este grupo, totalmente reformulado de um ano para cá, comece a mostrar resultado. Quando chegou ao clube, em seus primeiros treinos, deixou isso muito claro: ?Eu pedi da diretoria tranqüilidade para fazer meu trabalho. Sob pressão as coisas ficam bem mais difíceis?, alertou há mais de dois meses. Depois de tal declaração, o time quase foi rebaixado no Campeonato Paulista. Reforços ? A aposta no clube é a de que dois ou três reforços resolvam todos os problemas. Ricardinho é o mais próximo. O meia deixou o Middlesbrough e já vinha conversando com o clube. Chega a São Paulo na próxima semana. O empecilho à negociação é uma cláusula que o São Paulo acrescentou na rescisão do jogador, proibindo-o de atuar em outro clube do País até o fim do ano. Em relação ao lateral-esquerdo Kléber, Citadini se mostra confiante e acredita que ele chegará ao clube em menos de 40 dias, quando acaba seu vínculo com o Hannover. ?Se o time dele lá não fizer uma boa proposta para ficar com o atleta, ele tem contrato com o Corinthians por mais um ano. Então, volta.? O técnico Oswaldo de Oliveira nunca escondeu querer Kléber e Ricardinho, assim como foi honesto ao dizer que o atual elenco tem graves falhas. Sempre deixou claro que os titulares Jô e Fininho entravam porque não havia substituto à altura, mas não eram ainda maduros o suficiente para vestirem a camisa do Corinthians. O garoto Fininho, de 20 anos, já não deve jogar contra o Paysandu, domingo, no Pacaembu. No treino desta sexta-feira, Oswaldo improvisou o meia Renato na posição. Colocou ainda Rodrigo no lugar de Piá, expulso contra a Ponte, e pôs Fabrício como titular. Na terceira rodada, Jô, de apenas 17 anos, deve ser sacado para a entrada, enfim, de Marcelo Ramos. O atacante, recuperado de uma fratura na fíbula, se diz 100% fisicamente e espera só a oportunidade para ser o ?matador? tão esperado pelo treinador.

Agencia Estado,

23 de abril de 2004 | 19h46

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