Corinthians só quer revelar jogadores

A venda de Luizão para o futebol alemão confirma uma tendência cada vez mais clara na política de investimentos na parceira entre o Corinthians e a Hicks Muse. Depois de Éwerthon ter assumido com sucesso o lugar de Edílson, negociado com o Flamengo no ano passado, agora o menino Gil deve ocupar a vaga deixada por Luizão, apesar da insatisfação do técnico Wanderley Luxemburgo. "Não sou o dono do Corinthians, vou trabalhar com aquilo que tenho", rebelou-se o treinador corintiano, ao saber que perdeu Luizão. Mesmo contrariado com a situação, Luxemburgo terá de se adaptar à nova política de trabalho adotada pela parceria. Muito antes do fim da lei do passe a Hicks Muse já se preparou para fazer do Corinthans um time muito mais revelador do que contratador. A empresa norte-americana investiu alguns milhares de dólares na conclusão do CT de Itaquera e na compra de equipamentos de última geração especialmente para desenvolver o trabalho no Departamento Amador, que passou a contar com as mesmas atenções dos profissionais. A nova política de trabalho conta também com o apoio da diretoria do Corinthians. O vice-presidente de futebol, Antonio Roque Citadini, aposta na capacidade do clube de revelar talentos como Gil, Éwerthon, Kléber e tantos outros que apareceram no Parque São Jorge sem a infra-estrutura que o clube tem hoje. "Não é so o Gil que vai ter a sua chance. Em questão de meses, mais cinco ou seis craques dos juniores serão aproveitados no time de cima", revela o dirigente. Além dos investimentos em equipamentos e na conclusão de Itaquera, a Hicks montou um verdadeiro time de ´olheiros´ que estão espalhados pelo país. Alguns indicados pelo próprio Departamento Amador, outros por sugestão do consultor-técnico do time principal, Valdir Joaquim de Morais, que foi recontratado pela empresa com outra função para comandar o processo de escolha dos futuros contratados. "O potencial do Corinthians é muito grande também nesse sentido. Que garoto não gostaria de jogar no Corinthians?", questiona o próprio Valdir. "Só que antes era mais difícil para o garoto chegar ao Parque São Jorge. Hoje, é o clube que saiu atrás dos garotos". A nova política de trabalho conjugada entre o amador e o profissional, no entanto, não significa que a Hicks abandonará definitivamente os investimentos em contratações de jogadores consagrados. Com o fim da lei do passe, não será mais necessário tantos milhões de dólares para trazer craques consagrados do futebol brasileiro. A parceria Corinthias-Hicks imagina que esses jogadores é que passarão a ter interesse em jogar no Parque São Jorge. "A política de investimentos no Departamento Amador não tem nada a ver com futuros negócios com jogadores já formados. É claro que se amanhã ou depois algum craque da Seleção ficar sem contrato em seu clube atual e quiser jogar aqui no Parque São Jorge o Corinthians vai abrir as suas portas dentro de sua política salarial", acrescenta Roque Citadini.

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