Corinthians sob suspeita; Müller fora

A demissão inesperada do atacante Müller, anunciada pelo jogador e confirmada pelo vice-presidente de futebol Antonio Roque Citadini, nesta quinta-feira, apenas confirma que o Corinthians não perdeu o título da Copa do Brasil para o Grêmio por acaso. As suspeitas de que houve graves problemas na véspera daquele jogo são cada vez mais fortes e já começam a preocupar os próprios atletas. Vão desde uma simples briga entre eles até uma suposta presença de duas mulheres na concentração, na noite anterior à decisão contra o Grêmio no domingo passado.Oficialmente, Müller teria saído porque queria descansar. No entanto, uma outra versão muito comentada nos bastidores revela que o jogador só abriu mão de R$ 150 mil de salário e do contrato até o fim do ano porque não considerou profissional o comportamento de alguns companheiros. Consta que duas mulheres teriam passado a noite na concentração, e que Wanderley Luxemburgo quase pediu demissão por causa disso.As duas moças teriam vindo de São José do Rio Preto, onde o time jogou a primeira partida das semifinais da Copa do Brasil contra a Ponte Preta, e se hospedaram no Paulista Wall Street a convite de dois jogadores cujos nomes estão sendo preservados por falta de provas. Os seguranças do Corinthians, no entanto, asseguram que nenhuma mulher subiu ao 11º andar do Paulista Wall Street (ocupado pelos jogadores) na véspera da decisão contra o Grêmio. "Ficamos em três, acordados das 5 da tarde às 5 da manhã", garante um deles, sob a condição de manter o seu nome em segredo.O mesmo segurança também garante que nesse período nenhum jogador saiu do 11º andar. "Tenho família para sustentar. Se alguma mulher subisse ou se algum jogador descesse, eu diria ao Wanderley. Esse é o meu trabalho, não posso colocar em risco o sustento de minha família", acrescentou o segurança.Assustados com o assunto, os jogadores não quiseram comentar o problema. Contatado por telefone pela Agência Estado, Marcelinho se surpreendeu na chegada a Maceió. "Você acha que com o Wanderley por perto algum faria uma coisa dessas??, indagou o meia.Tão curioso quanto qualquer repórter, Marcelinho ficou de ouvir alguns companheiros e prometeu entrar em contato com a reportagem, também por meio do telefone celular. Não ligou e depois, nem quis falar sobre o assunto.O técnico Wanderley Luxemburgo decidiu falar do problema e confirmou a história do segurança. "Não houve nada. Perdemos a Copa do Brasil porque o Grêmio foi melhor. Se tivesse subido mulher no andar dos jogadores eu mesmo teria mandado todo mundo embora. Dou a minha palavra: foi tudo normal. Para encerrar esse assunto: eu garanto que no meu grupo ninguém saiu com mulher".Quanto à versão de que duas mulheres teriam vindo de São José do Rio Preto, Luxemburgo argumentou: "Mulheres vem e vão de todos os lados. Mas não significa que elas ficaram com os jogadores".Já em relação a Müller, Luxemburgo só reservou elogios ao atacante. "Ele foi muito profissional. Só decidiu sair porque achou que estava atrapalhando os garotos como o Gil. O conceito dele cresceu até para a diretoria", afirmou o treinador.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.