Corinthians sonha com a Libertadores

Os quatro pontos que o separam do quarto colocado no Campeonato Brasileiro já deixaram de ser um obstáculo intransponível para o Corinthians. Depois de vencer o Vitória-BA, por 1 a 0, no sábado à noite, no Pacaembu, e chegar aos 61 pontos ganhos, os corintianos se sentem de volta à briga por uma vaga na Copa Libertadores de América de 2005. E a confiança não é só de Tite e de seus jogadores. A própria torcida corintiana deixou o Pacaembu acreditando no poder de reação da equipe. Enquanto o Corinthians deixava o gramado do Pacaembu, os torcedores reverenciaram seus ídolos com um coro jamais ouvido até agora. "Li-ber-ta-do-res.... Li-ber-ta-do-res". O coro mais se parecia com um grito de guerra. E contagiou até o chefe. Tite saiu do estádio convencido de que, desta vez, a reação corintiana não será interrompida, como aconteceu em nove outras oportunidades. "Nós estamos quietos aqui no nosso canto. Se derem mole, o Corinthians vai chegar". O que faz o treinador acreditar numa reação definitiva na competição é a resposta ofensiva que o time apresentou no sábado. Pelos cálculos do treinador, o Corinthians construiu mais de 10 chances de gol. Fez só um mas poderia ter construído um placar bem mais dilatado. "Ainda está faltando melhorar a finalização mas não me preocupo com isso. O que me tranqüiliza é que a equipe melhorou ofensivamente. Continua marcando bem e já está criando um número de jogadas ofensivas muito maior. Se não conseguimos sábado um placar mais dilatado, vamos buscar esse placar no próximo jogo". O próximo jogo, aliás, é quase uma decisão para o Corinthians. O time enfrenta o Internacional, domingo, em Porto Alegre, com a obrigação de ganhar os três pontos. Tite sabe que não será tarefa fácil. Ao mesmo, porém, entende que é a única alternativa que resta. "Agora, todos os jogos são decisão. Especialmente esse confronto com o Inter, é importantíssimo. A vitória nos deixaria muito mais próximo do nosso objetivo". O objetivo principal é a classificação para a Libertadores. Tite ainda sonha com isso. Mesmo assim, prefere não sobrecarregar demais seus jogadores de responsabilidade. Por isso mesmo, vez por outra ele se pega aliviando o discurso. No sábado, entre tanto otimismo, num dado momento ele fez questão - talvez estrategicamente - de baixar a bola. "Esse grupo vai lutar até o fim por aquilo que for melhor para o Corinthians. O melhor, no momento, seria a classificação para a Libertadores. Nosso trabalho está direcionado a isso. Ainda assim, se isso não for possível, vamos lutar sempre para dar o melhor de nós para o Corinthians. Se não for a Libertadores, tem que ser o quinto lugar; se não for o quinto, será o sexto. E se for a Copa Sulamericana, ótimo. É um torneio internacional também muito importante. Que corintiano não gostaria de estar disputando a Sulamericana este ano? Eu gostaria". Apesar do final de discurso moderado do chefe, os jogadores parecem ter recuperado a confiança após a vitória de sábado. Só o atacante Gil detectou uma falha na equipe. "Essa vitória nos dá muito mais confiança e esperança, mas é preciso reconhecer que há defeitos que precisam ser corrigidos. Só acho que não podemos facilitar tanto. Fizemos um gol e depois levamos sufoco do Vitória. Desconcentramos um pouco, perdemos a força de marcação. E quase levamos o empate no final. Isso não pode acontecer". Outro motivo de alegria foi o comportamento dos jogadores. Depois que Tite ameaçou multa os jogadores que recebessem cartão amarelo por reclamação, ninguém contestou a arbitragem no sábado.

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