Corinthians tenta proteger Lulinha das críticas

Diretoria teme que má fase do atleta prejudique uma transferência para o exterior; multa é de R$ 85 milhões

Marcel Rizzo, Jornal da Tarde

09 de abril de 2008 | 18h59

Lulinha é hoje, ao lado de Dentinho, a "galinha de ovos de ouro" do Corinthians. Por isso mesmo, ganhou gordo aumento salarial no final do ano passado, o que elevou sua multa rescisória para R$ 85 milhões. Tudo graças às atuações de gala na categoria de base do clube. Mas 2008 começou e o que seria o ano do reconhecimento do garoto de 17 anos se transformou na temporada de blindar a revelação. A diretoria corintiana entendeu que poderia "queimar" Lulinha se ele continuasse jogando mal e sendo criticado pela torcida, o que inviabilizaria uma futura venda milionária, como foi a do meia William. No ano passado, William jogou pouco tempo com a camisa de titular do Corinthians e já foi vendido para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, o que rendeu R$ 25,5 milhões aos cofres corintianos. E o plano da diretoria era conseguir algo similar com Lulinha. As vaias da torcida, no entanto, fizeram com que fosse dado um tempo para Lulinha. Tudo de acordo com o técnico Mano Menezes, que sentiu que poderia prejudicar o time tecnicamente se o garoto seguisse como titular nesta fase ruim que ele está passando. "Lulinha é o nosso patrimônio. Não podemos nos arriscar a perdê-lo", admitiu o vice-presidente de futebol do Corinthians, Mário Gobbi. Não houve, no entanto, uma determinação específica da diretoria para o treinador a fim de evitar a escalação de Lulinha, principalmente nos jogos em São Paulo, onde ele era mais criticado. Mas, em conversa informal, tanto Mário Gobbi quanto Mano Menezes entenderam que era o momento de preservar o atleta. Os números mostram exatamente quando começou essa blindagem: após a derrota de 1 a 0 para o Palmeiras, em 2 de março, pelo Paulistão. Neste jogo, Lulinha foi vaiado pela torcida e criticado até por companheiros dentro de campo. O capitão William não poupou palavrões, dentro de campo, para cobrar o meia por não ter passado bola para André Santos, melhor colocado em lance que seria decisivo. Antes daquela partida, o Corinthians havia feito 12 jogos e Lulinha só não tinha entrado em um. Na seqüência, foram nove duelos e o meia ficou fora de quatro. Voltou a ser titular contra o Noroeste, domingo passado, porque Diogo Rincón estava suspenso. "Sei que sou novo e que tenho tempo para estourar. Não fico chateado de não jogar. É a posição do técnico e respeito", afirmou o garoto. A atual diretoria diagnosticou o problema de Lulinha: ter sido lançado na fogueira no ano passado. Na ocasião, o jovem meia teve que ser a solução para livrar o time corintiano do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas ele não agüentou a pressão, principalmente porque chegava ao profissional com fama de fenômeno: em contagem não oficial, diz ter feito 297 gols nas categorias de base.

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