Corinthians: vice de finanças depõe

O cerco do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) aos investimentos da MSI no Brasil está se fechando. Os promotores Roberto Porto e José Reinaldo Guimarães Carneiro interrogam nesta quarta-feira o vice-presidente de finanças do Corinthians, Carlos Roberto de Mello. O nome de Mello não estava na lista dos que seriam ouvidos pela parceria Corinthians/MSI, mas o profissional foi citado em depoimentos anteriores.?Ele será o último a ser ouvido antes de chamarmos o senhor Kia Joorabchian, da MSI, que deverá acontecer na próxima semana?, disse o promotor Guimarães Carneiro. ?Chegamos ao nome de Carlos Mello porque todas as questões envolvendo dinheiro eram remetidas a ele. Isso foi citado em todos os outros depoimentos. Vamos então descobrir o que ele sabe da MSI.?O Gaeco investiga o provável crime de lavagem de dinheiro da MSI no Brasil. A empresa estaria usando a parceria com o Corinthians para fazer isso. Nada ainda está confirmado. E as apurações continuam.Os promotores também pediram ao clube uma cópia do contrato de compra e venda do jogador argentino Carlitos Tevez. Os responsáveis dizem que entenderam mal e enviaram ao Gaeco uma cópia do contrato de parceria. Ganharam tempo. ?Eles têm cinco dias para nos atender?, diz o promotor Carneiro.Os promotores tiveram acesso a uma reportagem sobre o assunto publicada pelo jornal Clarín, da Argentina. Nela, uma novidade: o valor pago pela MSI ao Boca Juniors seria US$ 16 milhões e não os US$ 22,6 milhões alardeados por Kia Joorabchian e pelo presidente corintiano Alberto Dualib. ?Os números dessa negociação nunca bateram. O Corinthians nos mandou um documento com o valor da compra em US$ 17 milhões. O jornalista argentino informa ainda que US$ 2 milhões teriam sido arrolados no negócio, mas diz respeito a um convênio da MSI com a categoria de base do time paulista?, diz Carneiro.Tevez deu ainda US$ 1,5 milhão ao presidente do Boca, Mauricio Macri, para que ele invista nas categorias menores do clube portenho. A transferência do atacante argentino e de outros 104 estão sendo investigadas pelas autoridades daquele país. Querem saber se pagaram todos os impostos.Os promotores do Gaeco já começaram a ?trocar figurinhas? com seus parceiros da Argentina. No contrato da compra de Tevez há uma cláusula que dá ao Boca 20% do valor caso o atacante, agora do Corinthians, seja negociado por mais de US$ 35 milhões. O pagamento ao Boca teria sido feito em conta que o Royal Bank of Canadá, de Toronto, tem no JP Morgan Chase de Nova York.

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