Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Corinthians vive uma nova realidade no segundo turno do Brasileiro

Após primeira parte do nacional impecável, equipe de Carille começa a passar por maiores dificuldades

Daniel Batista e Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2017 | 17h02

Se o primeiro turno do Corinthians foi praticamente perfeito, com 14 vitórias e cinco empates, a segunda metade do Campeonato Brasileiro tem deixado os torcedores alarmados. Nas cinco partidas do returno, são três derrotas, duas vitórias e dois gols marcados. 

Para alguns analistas, a queda brusca de rendimento do Corinthians se dá pela imposição de um cenário pouco visto anteriormente.

Nas 19 primeiras partidas do torneio, o time de Fábio Carille ficou somente sete minutos atrás do placar. O momento aconteceu na 14ª rodada, no intervalo entre o primeiro gol do Atlético-PR, aos 37 minutos do primeiro tempo, e o empate de Jô, aos 44 - a partida acabou em 2 a 2.

Por outro lado, neste segundo turno a equipe já enfrentou três oportunidades adversas, terminando derrotada em todas elas - contra o Atlético-GO, Vitória e Santos. “Viramos o time a ser batido e isso faz com que os adversários entrem em campo mais ligados e nos estudem ainda mais para nos vencer. Temos que saber lidar com isso”, disse o atacante Jô.

"Na frente do placar em 18 das 19 partidas do primeiro turno, o Corinthians pôde fazer o que gosta: dar a bola ao adversário, se armar bem defensivamente e sair em contra-ataques trabalhando bem a bola", opina Mauro Cezar Pereira, colunista do Estado e comentarista da ESPN Brasil. "Mas no segundo turno, saiu atrás do placar na maioria das vezes e teve que pressionar. No final, caiu na armadilha do restante do times, que é alçar bola na área."

No primeiro turno, o Corinthians tinha média de 20,2 cruzamentos por jogo, 19º marca do quesito no campeonato. Na segunda metade, passou para 35,6, assumindo a liderança no fundamento. "Isso não é eficaz, pois na maioria das vezes os jogadores apenas lançam as bolas para dentro da área, sem objetivo algum", comenta Mauro Cezar.

Neste segundo turno, o alvinegro também aumentou o número de passes e de posse de bola e diminuiu o de lançamentos. Para Eduardo Barros, consultor de análise de desempenho da Universidade do Futebol e assistente técnico de Fernando Diniz, as desvantagens no placar também explicam essa variação, que é natural e circunstancial.  

"Quando um time consegue um gol cedo, é natural que o adversário corra atrás do resultado, aumentando a pressão, a posse de bola e os passes. Mais próximo do gol, ele também não precisa mais fazer lançamentos", analisa Eduardo. O gol do Vitória saiu aos 11 minutos do primeiro tempo, enquanto o do Atlético-GO foi a 1 do segundo tempo e do Santos, aos 12 da segunda etapa.

Para o lateral-direito Fagner, embora os números digam o contrário, não há motivos para preocupação e nem qualquer possibilidade de crise no Corinthians. “Estamos tirando como parâmetro o primeiro turno, que foi anormal. Quando você tem uma sequência em que é derrotado em dois jogos em casa e perde outra fora, falam que o Corinthians está em crise. Mas não é verdade. Pelo contrário. Continuamos fortes”, assegurou.

Mas outro dado que pode explicar a queda do time alvinegro é a menor eficácia na frente do gol. Nas duas metades do Brasileirão, o Corinthians manteve estável a média de finalizações certas, 4,7 contra 5,0. No entanto, quase dobrou a de finalizações erradas, de 6,5 para 10,6.

Segundo Eduardo "o Corinthians manteve o volume de jogo no segundo turno e poderia ter vencido Atlético-GO e Vitória ou até empatado com o Santos". "Mas esbarrou na falta de pontaria e em boas defesas dos goleiros e não conseguiu marcar", completou.

"O Corinthians, agora, está jogando o que se pode esperar deste time. O primeiro turno é que é anormal, o ponto fora da curva. Aquilo não tem explicação", diz Mauro Cezar. "A vantagem é que os rivais diretos também fraquejam, senão já o teriam alcançado na tabela."

DESFALQUES NA DEFESA

O quarteto principal da defesa corintiana, formado por Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana, esteve completo em campo em oito partidas e não sofreu nenhum gol. Neste período de oscilação, apenas o lateral direito se manteve no time, com os outros três variando nas escalações devido a problemas físicos.

"O time tinha uma sintonia muito fina no sistema de defesa e com esses desfalques, desequilibrou um pouco", comenta Eduardo. Ele ainda lembra dos jogo contra o Santos e Vitória, quando os três gols cedidos pelo time de Itaquera surgiram de contra-ataques, "algo que não era comum de se observar antes".

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