DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Corinthians vota impeachment de Roberto de Andrade nesta segunda

Presidente alvinegro é acusado por oposicionistas de assinar atas de reuniões com datas anteriores à sua eleição, em fevereiro de 2015

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2017 | 06h00

Após muitas negociações e pressão de todos os lados, o futuro do presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, será definido nesta segunda-feira. Os 341 conselheiros votarão o pedido de impeachment contra o dirigente e, caso a maioria entenda que ele cometeu irregularidades, o presidente será afastado do cargo.

Os últimos dias foram de articulações e promessas no Parque São Jorge. O clube ficou dividido entre conselheiros favoráveis e contrários à saída do dirigente. Os dois lados trabalham nos bastidores para convencer os indecisos.

O processo teve início no dia 22 de novembro do ano passado, quando 63 conselheiros entregaram ao Conselho Deliberativo pedido de saída de Andrade. A acusação é de assinaturas fraudulentas do dirigente em contratos do Itaquerão e em ata de reunião em que ele teria assinado como presidente antes de assumir o cargo.

O mandato de Andrade vai até fevereiro do ano que vem, sem direito à reeleição. Nos últimos meses, o dirigente perdeu muitos aliados e vive enorme pressão. A crise se agravou com as constantes trocas de treinador e os maus resultados da equipe, que não conseguiu ficar entre os seis primeiros colocados do Campeonato Brasileiro do ano passado e garantir a vaga para a Libertadores.

O ex-presidente Andrés Sanchez é um dos que deixou de apoiar Andrade, apesar de já ter declarado publicamente que é contra o impeachment.

Se os conselheiros decidirem que Roberto não cometeu nenhuma irregularidade, ele permanece no cargo e o processo está encerrado. Caso o pedido de destituição seja acolhido, o dirigente é imediatamente afastado do cargo e o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Strenger, terá cinco dias para convocar uma Assembleia Geral de Associados.

Os sócios, então, votarão se Andrade deve continuar ou não na presidência do clube. Até que os associados decidam o futuro de Andrade, quem assume o clube é o vice-presidente André Luiz de Oliveira, mais conhecido como André Negão no Parque São Jorge. Ele é investigado pela Operação Lava Jato. A suspeita é de que o dirigente recebeu R$ 500 mil de propina da Odebrecht relativos à construção do Itaquerão.

Pressão. Membros das principais torcidas organizadas prometem protestar nesta segunda à noite no Parque São Jorge. A Comissão de Ética do clube – que já se mostrou contra a saída do dirigente – vai ter 30 minutos para se manifestar e apresentar o seu parecer. Em seguida, também por 30 minutos, será dada a palavra ao representante dos requerentes do impeachment.

No terceiro ato, quem terá o direito a se manifestar será a defesa de Andrade. O dirigente deverá ser representado por Luiz Alberto Bussab, seu aliado político e diretor de Negócios Jurídicos do clube. Terminado esse processo, inicia-se a votação, que será secreta e em cédula de papel.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Como será a votação?

A primeira chamada será às 18h e a segunda, às 19h. O número total de conselheiros é de 341, mas não há um mínimo de participantes, nem peso diferenciado para os votos. Comissão de Ética, acusação e defesa vão expor os seus argumentos. Em seguida, ocorrerá a votação. A previsão é que uma definição ocorra por volta das 22h30.

Qual é a acusação contra Roberto de Andrade?

O dirigente é suspeito de ter assinado atas de reunião como presidente antes de assumir o cargo e também de ter fraudado assinaturas em contratos do Itaquerão.

O presidente pode deixar o cargo nesta segunda?

Sim, mas apenas temporariamente. O afastamento definitivo depende dos sócios.

Qual é o próximo passo após a votação desta segunda? 

Caso o processo de impeachment seja aprovado, o Conselho Deliberativo convocará em cinco dias uma assembleia entre os associados. Se a maioria dos sócios decidir pela saída do presidente, aí sim o impeachment é oficializado. Para que a Assembleia Geral dos Associados tenha validade, é necessário que pelo menos 500 sócios compareçam no dia da votação.

Quem assume caso Roberto de Andrade seja afastado?

O vice-presidente André Negão fica no poder interinamente até a realização da Assembleia dos Associados. Se o afastamento de Andrade for ratificado, Negão continua no cargo até fevereiro de 2018, quando se encerra o mandato da atual gestão.

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Conselheiros do Corinthians debatem processo de impeachment de Roberto de Andrade

Denis Fuchman e Ricardo Maritan têm posições conflitantes sobre o processo

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2017 | 06h00

Você é a favor do impeachment de Roberto de Andrade?

NÃO - Denis Fuchman, conselheiro do Corinthians

"A gente não pode tirar um presidente do poder apenas por discordar de suas opiniões. O Corinthians tem um Conselho de Ética que julgou os fatos e detectou que não há motivos para o afastamento do presidente. Todo esse processo me parece muito mais político do que jurídico.

Não há base jurídica para tirar o Roberto de Andrade da presidência, mas querem fazer isso de qualquer jeito. A data da ata não significa a data real da assinatura. Ele pode ter participado de uma reunião depois e, legalmente, não tem nada que desabone o presidente de fazer isso.

Se não estão concordando com as decisões dele, há outras formas de cobrá-lo, que não seja tirando-o do cargo de forma ilegal. Me parece óbvio que não há base jurídica para isso. Tudo é apenas pressão política."

SIM - Ricardo Maritan, conselheiro do Corinthians

"Por uma série de razões, eu sou favorável ao afastamento do presidente, e não apenas às elencadas no pedido de destituição. Além de ter assinado dois documentos, retroativamente, em datas anteriores à sua posse, tais acordos foram prejudiciais ao Corinthians. Cabe ressaltar que, em reunião do Conselho, o próprio Roberto de Andrade fala constatando que o contrato com a Omni era prejudicial ao clube e precisava ser revisto.

A administração está muito aquém do mínimo aceitável. Recorrentes são os atrasos de pagamento, mesmo tendo arrecadação recorde. Presidente omisso e ausente. Não comparece nos principais eventos, não nomeia a diretoria, não dá expediente no clube com regularidade, além de ter se aliado e convidado para a diretoria ex-diretores da era Dualib, que tanto combatemos."

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