Corinthians x Lusa: muitas histórias

O poderoso ataque do Corinthians contra o melhor time da vida da Portuguesa. Clássico tradicional, só poderia ser grande espetáculo, em 25 de novembro de 1951, no Pacaembu, mas foi algo além: um dos jogos mais emocionantes em 102 anos do Campeonato Paulista. De um lado, o ataque corintiano que completaria 103 gols no campeonato. No outro lado, a Lusa de Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Vitória da Portuguesa por 7 a 3.Um mês e meio depois dessa derrota, o Corinthians seria campeão paulista, fim de um jejum de títulos que completava uma década. A conquista chegou a ficar ameaçada por uma crise: Gilmar, o grande goleiro corintiano, acusado pela torcida de falhar em campo, foi afastado da equipe. Ele voltou ao time quatro meses depois, tornou-se bicampeão mundial pela seleção brasileira e ficou no Corinthians por mais 10 anos - em 1961, foi para o Santos, onde ganhou dois títulos mundiais de clubes e duas Libertadores. Em seu apartamento na região dos Jardins, em São Paulo, Gilmar dos Santos Neves, 73 anos de idade, faz tratamento de um derrame cerebral sofrido em 2000. Os amigos que o visitam relembram suas grandes defesas, que ocorreram até mesmo naquele jogo contra a Lusa, apesar dos 7 gols sofridos."O maravilhoso time da Portuguesa de 1951 estava numa tarde infernal. Jogar no gol é ingrato e torcida nem sempre é fiel", comentou Gilmar em 1993, num jantar do clube de esportistas Panathlon, do qual foi presidente. A Portuguesa tinha esta equipe: Muca; Nena e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. O Corinthians jogou assim: Gilmar; Murilo e Alfredo; Idário, Touguinha e Julião; Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário."Julinho, que também defendeu o Palmeiras, a Fiorentina da Itália e a seleção brasileira, marcou quatro gols", explica o comentarista esportivo Orlando Duarte, da Rádio Trianon. "Com a vitória, a Lusa ficou a apenas dois pontos do líder Corinthians, mas terminou o campeonato em terceiro lugar, nove pontos atrás do alvinegro e um ponto em relação ao Palmeiras, vice-campeão."Outros grandes jogos marcaram a história de Corinthians x Portuguesa. Uma vitória corintiana incrível ocorreu em 24 de fevereiro de 1966, no Pacaembu, pelo Torneio Rio-São Paulo: 5 a 4. Oswaldo Brandão era o técnico do Corinthians, às vésperas da estréia de Garrincha. O gaúcho Flávio marcou três gols, entre os quais o quinto do time, este a três minutos do fim. "Por tradição, esse clássico sempre garante bom futebol", analisa José Teixeira, que era preparador físico do Corinthians em 1966, foi técnico de vários clubes e hoje trabalha como coordenador de futebol da Portuguesa: "Engana-se quem agora não vê chance de vitória da Lusa."Impossível deixar de relembrar o árbitro argentino Javier Castrilli, que marcou um pênalti inexistente contra a Portuguesa, aos 49 minutos do segundo tempo da semifinal do Paulista de 1998, em 26 de abril, no Morumbi. Rincón cobrou: 2 a 2. Classificado, o Corinthians perdeu a final para o São Paulo por 3 a 1.Basílio, herói corintiano na conquista do título paulista de 1977, que marcou o fim do jejum, jogou na Lusa no início daquela década. Ele estava no time que venceu o Corinthians por 1 a 0, gol de Ratinho, em 25 de março de 1971. A Portuguesa costuma fornecer grandes jogadores para outros clubes. E o Corinthians é freguês: levou para o Parque São Jorge, além de Basílio, os craques Zé Maria, Nair, Ditão, Ivair e Simão, por exemplo.

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