Corinthians x Palmeiras: as cinco maiores atuações da história do clássico

SÃO PAULO - Diz o senso comum do futebol que o clássico é um jogo que pode catapultar ou enterrar a carreira de um jogador. Quem brilha em uma partida entre dois grandes rivais ganha o passaporte para a glória, mas quem falha encara o fogo do inferno futebolístico. Na gloriosa história do confronto entre Corinthians e Palmeiras, a maior rivalidade de São Paulo, não faltam exemplos de jogadores que deslumbraram seus torcedores - nem daqueles que fracassaram rotundamente, mas aqui o que interessa é o primeiro caso. A seguir, listamos as cinco atuações mais marcantes de todos os clássicos entre alvinegros e alviverdes:

MATEUS SILVA ALVES, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 16h48

1º) O nascimento de São Marcos

(Palmeiras 2 x 1 Corinthians, Libertadores da América - quartas de final, 5/5/1999)

A lenda de São Marcos nasceu em 1999. Mais precisamente, no dia 5 de maio daquele ano, data do primeiro duelo entre Palmeiras e Corinthians pelas quartas de final da Libertadores da América. O time alvinegro passou o jogo inteiro mandando bolas para o gol alviverde, mas ainda assim perdeu por 2 a 0. E o culpado por isso tem nome e sobrenome: Marcos Roberto Silveira Reis, goleiro do Palmeiras naquela partida. Com uma atuação antológica, Marcos levou os corintianos ao desespero. Por mais que chutassem (e eles chutaram muito), os jogadores do Corinthians não encontravam um jeito de superar aquela barreira humana. No segundo jogo, o goleiro não foi tão decisivo, mas o Palmeiras eliminou o rival nos pênaltis e decolou para seu único título do torneio continental. Atuações brilhantes com a camisa de seu clube do coração se tornaram algo rotineiro para Marcos, mas aquela contra o Corinthians continua sendo a mais espetacular de todas. Por causa dela, o goleiro que, ironicamente, iniciou a Libertadores como reserva (só entrou no time porque Velloso se machucou durante a primeira fase) passou a ser chamado de Santo.

2º) Evair acaba com a agonia alviverde

(Palmeiras 4 x 0 Corinthians, Campeonato Paulista - final, 12/6/1993)

Não é por acaso que Evair desfruta do status de ídolo eterno da torcida do Palmeiras. Ele fez muitos gols e ganhou vários títulos pelo clube, mas nem precisava tanto. Se tivesse deixado o Palmeiras em 13 de junho de 1993, um dia depois da final do Campeonato Paulista daquele ano, ele já estaria no coração de todos os palmeirenses. Sem dar uma volta olímpica desde 1976, o supertime alviverde era favorito contra um Corinthians bem mais modesto, mas a derrota por 1 a 0 no primeiro jogo decisivo deixou a torcida do Palmeiras com muitas pulgas atrás da orelha. Era preciso vencer a partida de volta, e foi aí que Evair se fez presente. No tempo normal, ele deu o passe para o primeiro gol, fez o segundo e chutou uma bola na trave que resultou no terceiro. Na prorrogação (quando o Palmeiras jogava pelo empate), coube a Evair cobrar o pênalti que jogaria a derradeira pá de cal no Corinthians. Com frieza absoluta, como se estivesse em um treino, o centroavante fez o gol que tirou o Palmeiras da fila. E até hoje é idolatrado por causa disso.

3º) No Morumbi, Casagrande alcança o estrelato

(Corinthians 5 x 1 Palmeiras, Campeonato Paulista, 1º/8/1982)

Tudo de que um jovem que deseja se tornar um astro do futebol precisa é brilhar em um clássico para cair nas graças de sua torcida - e ser temido pelos adversários. Foi exatamente isso o que fez Casagrande em um jogo contra o Palmeiras, pelo Paulista de 1982. Ainda um desconhecido em busca da fama, Casão marcou três gols na goleada corintiana por 5 a 1 e, depois daquele domingo, firmou-se como um dos principais jogadores de um dos melhores times da história do Corinthians, jogando ao lado de ídolos como Sócrates, Zenon e Wladimir. Naquele clássico, Casagrande aproveitou que as condições eram propícias (o Palmeiras perdia por 2 a 1 e jogava com um jogador a menos, já que o goleiro Gilmar havia sido expulso) e fez seu nome no segundo tempo ¬- foram dele os três últimos gols do jogo. E os três tentos foram típicos de centroavante, com Casagrande aproveitando passes açucarados de companheiros ou rebotes para empurrar a bola para a rede. Nos anos seguintes, cheio de confiança, ele mostrou que era capaz de fazer muito mais do que apenas empurrar a bola para o gol.

4º) Marcelinho enlouquece o Pacaembu

(Corinthians 2 x 1 Palmeiras - Campeonato Paulista, 2/4/1995)

No começo de 1995, Marcelinho Carioca era ainda um candidato a ídolo da torcida corintiana. Ao jogador revelado pelo Flamengo, que havia sido contratado no ano anterior, faltava ganhar títulos com a camisa alvinegra. Naquela tarde de domingo, não havia taça alguma em jogo, já que o clássico valia pela primeira fase do Paulistão. Ainda assim, Marcelinho deu no Pacaembu um passo enorme para se tornar o queridinho da Fiel. Roberto Carlos colocou o Palmeiras em vantagem no primeiro tempo, mas depois do intervalo o camisa sete do Corinthians mostrou do que era capaz. Com uma inacreditável cobrança de falta - a bola estava mais perto do meio do campo do que da área palmeirense ¬¬-, ele acertou o ângulo do gol de Velloso e empatou o jogo. A poucos minutos do fim, aproveitando um corta-luz espetacular de Tupãzinho, Marcelinho se fez de centroavante para marcar o gol da vitória. Pouco tempo depois, ele foi decisivo na conquista do Estadual (batendo o próprio Palmeiras na final) e da Copa do Brasil. E aí já não havia mais dúvidas de que Marcelinho havia virado um ídolo da Fiel. 

5º) Adãozinho sai do banco e entra para a história do clássico

(Corinthians 4 x 3 Palmeiras ¬ Campeonato Paulista, 25/4/1971)

O começo dos anos 70 não foi exatamente um período glorioso para o Corinthians. O time estava sem ganhar o Campeonato Paulista desde 1954, não havia muitos jogadores de alto nível no elenco (Rivellino era a estrela solitária) e, para piorar, o Palmeiras possuía um esquadrão. Não por acaso, a equipe de Ademir da Guia, Dudu, Leão, Luís Pereira e César era favorita absoluta naquela tarde fria de domingo e ninguém se surpreendeu quando ela abriu 2 a 0 no primeiro tempo. Tudo mudou, no entanto, na segunda etapa, quando Adãozinho saiu do banco para entrar para a história. Depois de Mirandinha ter feito o primeiro do Corinthians, ele acertou um chutaço de fora da área e empatou o jogo. Logo depois o Palmeiras fez o terceiro, mas o time alvinegro não desanimou e virou o jogo. O gol da vitória, também de Mirandinha, foi construído por Adãozinho, o herói de uma vitória improvável. Ele nunca mais voltou a ter uma tarde gloriosa como aquela, mas nem precisava: o coração da Fiel já estava conquistado.

 

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