Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Corintiano desconfiado

A vitória sobre o Athletico não pode esconder a pobreza de futebol do time de Carille

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 04h30

Liguei para três torcedores do Corinthians após a vitória do time sobre o Athletico-PR por 2 a 0, resultado que deu à equipe de Carille seu oitavo ponto no Brasileirão. O pretexto era saber da vida. Aproveitei para perguntar do jogo, certo de que haviam assistido pela TV. Assistiram. Mas nenhum deles estava satisfeito com o rendimento do time. “Dá até raiva”, me disse um deles. É claro que três torcedores no universo de milhões não significa absolutamente nada, mas não deixa de ser um termômetro em relação à satisfação do corintiano com o grupo.

Tenho chamado a atenção para o futebol mal jogado, medroso, que não fica com a bola, mas que ganha jogos, ocasionalmente, por acaso. O Corinthians é um desses times neste começo de Brasileirão. Ganha, mas não convence. E apenas um profissional no grupo parece incomodado. É o técnico Fábio Carille, que já admitiu isso e que neste domingo, após os 2 a 0, deixou o campo no Paraná com cara de poucos amigos. Ou os caras dentro de campo não estão seguindo suas instruções ou ele ficou furioso, mais uma vez, com o rendimento do elenco ou de algum atleta.

Nas entrevistas dos jogadores, tudo parece bem. Eles não conseguem avaliar o que o time fez em campo a não ser pela óptica dos pontos conquistados ou perdidos. E estão sempre jogando as preocupações para o próximo jogo, como se aquele que acabou de terminar não merecesse explicações. Digo que o corintiano está desconfiado do time. Melhor dizendo: da pobreza do futebol apresentado pelo Corinthians.

Os jogadores não ficam com a bola (menos de 40% de posse na partida contra o Athletico) nem diante dos moleques, ou reservas, do clube paranaense. Atuam do meio de campo para trás, correm atrás dos marcadores a maior parte do tempo e quase não produzem nada. Só fazem desarmar e destruir. Ralf é o símbolo deste Corinthians.

Mas para dizer que o corintiano não enxerga nada de bom no time de Carille, há o argumento de que seu ataque tem sido cirúrgico. Claro, porque diante do Athletico daria para dizer que foram dois ataques mortais que resultaram nos dois gols dos 90 minutos. Então, certamente há aqueles que estão satisfeitos com as vitórias e dane-se o restante que envolve uma partida de futebol, e os que estão desconfiados do rendimento do time mesmo com as vitórias e empates neste Brasileirão.

Para aliviar um pouco a questão, digo que o sentimento também é comum a torcedores de outros clubes.

O Palmeiras é um deles, por exemplo. A vitória de 4 a 0 sobre o Santos foi construída com uma apresentação de dar orgulho, como o palmeirense sempre quis porque sempre entendeu e soube da qualidade dos jogadores de Felipão. Mas nem sempre é assim e o torcedor se pergunta por que não.

Não tenho dúvidas de que a maioria dos palmeirenses acha que a equipe pode sempre atuar da maneira com que surrou o Santos no Pacaembu.

No caso do São Paulo, a coisa é diferente, embora não devesse. Cuca e os jogadores sabem que a taça é o mais importante nesse momento de jejum. Então, o que importa, acima de tudo, é ganhar jogos e campeonatos. O único senão nesta condição é a certeza de que time que joga bem, com disposição e categoria, com a bola nos pés e inteligência, sempre tem mais chance de ganhar suas partidas. Então, Cuca e os são-paulinos deveriam olhar com carinho para essa equação. O elenco tricolor é bom e não deve nada aos melhores apontados na temporada.

Em breve, dia 1.º de junho, em Madri, vamos acompanhar a decisão da Liga dos Campeões entre Liverpool e Tottenham. São timaços, mas, acima de tudo, são equipes que não desistem de jogar futebol, ganhando ou perdendo, com o regulamento ou contra ele. Aqui, precisamos jogar menos partidas e mais futebol.

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