Divulgação
Divulgação

Corintiano ganha estádio que terá a sua própria cara

Arena em Itaquera, sede da abertura da Copa, vai ter espaços luxuosos que ajudarão a bancar assentos mais populares

Almir Leite e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2012 | 16h59

A cada dia que passa a Fiel está vendo o sonho da casa própria se tornar realidade. Em Itaquera, a Arena Corinthians caminha em ritmo acelerado para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014 em um projeto que já conquistou o VIII Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa no ano passado e que tem como principal aspecto conciliar a simplicidade das formas com os anseios do corintiano. “A primeira ideia é que o estádio servisse à torcida, que ajudasse o time a ganhar jogos. Então eu quis botar a torcida dentro do campo para empurrar a equipe”, conta Anibal Coutinho, um dos idealizadores do projeto.

Ele também revela que uma exigência do clube foi dar conforto à torcida. “No estádio não haverá nenhum ponto ruim para ver o jogo, pois as curvas de visibilidade são boas. Optamos por fazer um estádio compacto, para ter a ideia da massa”, diz. Com capacidade para 48 mil torcedores, será ampliado para receber a abertura da Copa. Ganhará arquibancadas móveis atrás dos gols e em um dos lados do campo, o que aumentaria sua capacidade para até 72 mil lugares.

Mas, para receber o jogo inaugural do Mundial, alguns assentos serão sacrificados para atender posicionamentos de câmeras e áreas vips, o que faria com que a capacidade ficasse em 65 mil lugares.

E, justamente por causa da Copa de 2014, a grande dificuldade foi fazer uma arena que servisse ao clube, mas também ao maior evento do planeta.

“As exigências da Fifa foram um estímulo, pois superamos os desafios e fomos além do que era pedido”, explica Coutinho. “O estádio sairia de qualquer maneira e o legado é para o torcedor corintiano.” Ele revela que o banheiro da área vip será igual ao da área comum. “O banheiro luxuoso é o da área comum, são todos excepcionais. Fizemos também menos cadeiras do que poderíamos colocar, com mais espaço entre elas, para dar um grau de conforto maior.”

Um ponto alto do projeto arquitetônico é a cobertura, que passa a impressão de que o teto está flutuando em cima das arquibancadas. “Quisemos passar a ideia de leveza, que tem a ver com o futebol do clube, com a categoria dos atletas. É uma identificação e acho que o estádio terá a cara da torcida”, afirma.

A cobertura permite ainda que o estádio seja ventilado e ao mesmo tempo que ela é arrojada arquitetonicamente, também possui o formato perfeito para iluminação HD 3D.

Em reunião com a Osram, empresa que fornecerá a iluminação, o Corinthians ouviu do parceiro que o teto tem boa angulação e altura para as transmissões em três dimensões que serão usadas em 2014.Aliás, a empresa alemã de iluminação é uma das 33 que vão participar de alguma forma da construção do estádio.

CUSTO REDUZIDO

O Corinthians sentou com cada fornecedor, negociou preços, ofereceu contrapartidas e conseguiu descontos significativos nos produtos. Segundo Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do clube, a economia que foi feita ajudou até a introduzir novos itens, que não estavam previstos, na arena. “Acho que vamos conseguir fazer uma obra mais barata do que estimamos, mas colocando de 30% a 40% a mais do que imaginávamos”, revela.

O telão que ficará na fachada externa e que mostrará imagens da torcida, considerado o maior do mundo, veio dessa economia que foi feita. Ele terá 170 m de comprimento por 20 m de altura. “Quando começamos a ver os fornecedores, falamos para a Odebrecht: ‘deixa que a gente negocia’. Acredito que até o final do ano teremos acordos com 50 empresas”, lembra Rosenberg. Ele aponta como pontos cruciais do estádio o gramado, as posições das câmeras e a iluminação, lembrando que todos esses itens ficarão acima do que a Fifa exige.

SETORES

O dirigente diz que vai colocar oito faixas de preços de ingressos, mas partindo do conceito que ele apelida de Robin Hood: cobrar caro de quem pode mais para subsidiar os ingressos de quem pode menos.

“O Corinthians tem capacidade de extrair dinheiro da classe alta como ninguém. Os setores mais caros terão escadas rolantes, elevadores, bares temáticos e restaurantes três estrelas. Isso vai gerar o excedente para baratear os ingressos populares.”

A partir deste princípio de segmentar a arena, Coutinho criou na parte oeste os setores para a elite, onde o Corinthians poderá vender ingressos por temporada, cadeiras vip, etc, para que isso possa subsidiar o estádio inteiro. “A torcida não será expulsa, o Corinthians vai contra a maré. Foram pedidos do clube. A parte vip subsidia o ingresso da massa, e a massa terá o mesmo conforto dos outros setores: ar-condicionado, piso da mesma qualidade, mesmo banheiro.”

Com o ingresso caro, o torcedor terá estacionamento mais próximo, comida incluída e áreas exclusivas para frequentar, entre outras coisas. Enfim, o sonho da casa própria está se tornando realidade. E com a cara da Fiel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.