Corintianos ainda temem reação da torcida

O medo ainda dominava a delegação do Corinthians no desembarque desta quinta-feira à noite, em Cumbica. Apesar de os Gaviões prometerem que não haveria protesto, a segurança corintiana achou melhor se precaver e contratou cerca de 20 homens, que tomaram o saguão do aeroporto. A chuva de ovos e tapas da terça-feira amedrontava a todos. A Infraero também estava avisada que caso algum torcedor criasse tumulto no saguão, toda a delegação desembarcaria diretamente na base aérea e seguiria de ônibus direto para o Parque São Jorge.Mas nenhum torcedor apareceu. Então, para mostrar serviço, os seguranças resolveram dar um espetáculo de trapalhadas. Assim que Fabinho e Pingo, os primeiros a aparecerem, desembarcaram, os truculentos causaram um tremendo tumulto. De um lado, a imprensa buscando a palavra dos jogadores, do outro, os fortões desequilibrados querendo proteger os jogadores sabe-se lá de quem. Alguns passageiros, que nada tinham a ver com a crise corintiana também sentiram a fúria dos bombadões contratados, que saíam empurrando quem estivesse pela frente.Uma atitude totalmente desnecessária. Oswaldo de Oliveira preferiu ir para o Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira. Antonio Roque Citadini antecipou a chegada a São Paulo para evitar um possível encontro com torcedores. Além disso, o vice-presidente de futebol ordenou que a assessoria de imprensa do clube dificulte a divulgação dos horários e locais de treinamento.Na cabeça do dirigente, a imprensa é responsável por informar as torcidas dos locais de treino. Os mais apavorados eram Fabrício e Rodrigo. Depois de serem os felizardos em ganhar ovadas no embarque, na véspera da partida, os dois jogadores saíram escoltados por seis seguranças. Em meio a confusão, Fabrício assumiu: "Ainda tenho medo."O único jogador que se mostrava mais tranqüilo e com a cabeça no lugar era o goleiro Rubinho, ainda assustado com o esquema de segurança que havia sido montado para o desembarque. "Não havia a necessidade de toda essa preocupação depois do resultado de quarta-feira. Mas o seguro morreu de velho", afirmou o goleiro, rodeado por três brutamontes. "Todos os jogadores ficaram chateados com o que aconteceu no embarque. Enquanto os torcedores gritavam, tudo bem. Mas a partir do momento em que passaram a atirar ovos, acho que perderam a razão."Rubinho revelou que houve festa no vestiário após a vitória e a classificação antecipada para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, que será contra Fortaleza ou Rio Branco-AC. "Uma alegria que não se via a muito tempo no vestiário", disse.Entre empurrões e cotoveladas, o zagueiro Ânderson se mostrava convencido de que o futebol mostrado contra o Ferroviário tinha sido o suficiente para abafar a crise das últimas semanas. "Não esperava nenhum tipo de manifestação pelo que o time jogou", garantiu.

Agencia Estado,

18 de março de 2004 | 20h11

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