Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Corintianos celebram arena nova e santistas vibram com Pacaembu

Clubes paulistas alcançam boas médias do público em jogos do Campeonato Brasileiro deste ano

Ciro Campos, João Prata, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2018 | 17h00

Ana Carolina Gayotto tem na memória afetiva as idas com o pai ao Pacaembu durante a infância. Mas por conta da violência nos estádios deixou de acompanhar o Corinthians das arquibancadas em sua adolescência.

O retorno veio somente após a construção da Arena, em 2013. Ana Carolina é sócia-torcedora e enumerou uma série de motivos que a trouxeram de volta aos campos de futebol. "É um lugar mais seguro hoje, com estacionamento e acesso ao metrô. Há mais conforto, e ficou fácil comprar o ingresso." 

Com esses benefícios, ela agora traz também para ver o Corinthians os três filhos: Maria Luiza, 12, Gabriela, 10 e Guilherme, 8, além do marido, Fernando, que é economista. "Tenho essa memória boa do estádio e a medida que meus filhos foram crescendo e começaram a gostar de futebol, queria que eles tivessem essa vontade também de vir aqui, de compartilhar esses momentos em família." 

Ana Carolina conversou com o Estado momentos antes do jogo contra o Flamengo. A partida aconteceu uns dias depois da Gabriela fazer aniversário. E o presente surpresa que a mãe corintiana proporcionou ao trio foi que entrassem em campo ao lado dos jogadores. 

As crianças estavam eufóricas e ao mesmo tímidas diante do repórter, como convém. Era o primeiro grande jogo que acompanhavam à noite. O caçula ainda disse que teria prova no dia seguinte.

O pai era o único que não estava uniformizado. Também, desde o início, deixou apenas que Ana Carolina falasse. Só no final da conversa é que sua esposa revelou, bem baixinho, que o marido, na verdade, era palmeirense. "O que não fazemos pela família?", encerrou o pai.

SANTISTAS APROVAM JOGOS NA CAPITAL

O segurança Wilson Borges, de 32 anos, comemora quando a tabela do Campeonato Brasileiro mostra que o Santos vai mandar jogos no Pacaembu. A escolha da diretoria para transferir algumas partidas do time da Vila para a capital paulista possibilitou a ele e ao filho, Kevin Gabriel, de 7 anos, contribuírem para aumentar a presença de santistas nas apresentações da equipe.

Os dois saíram na zona oeste de São Paulo na última quinta-feira para ver o empate por 1 a 1 com o Vasco, em jogo atrasado da 3.ª rodada. Foi a quinta partida do Santos no Pacaembu neste Campeonato Brasileiro e a quarta em que o clube conseguiu superar a média de público do time da competição do ano passado, de 11 mil pessoas.

"É difícil viajar para Santos, porque é cansativo depois voltar, às vezes fica muito tarde para acordar e trabalhar no dia seguinte. No Pacaembu, além de ser perto e como é estádio municipal, posso levar meu filho e não pagar pelo ingresso dele", comenta.

Outro torcedor do Santos, o contador Valdo da Silva, de 46 anos, concorda com os argumentos do colega. Apesar de ser sócio do clube, não foi nenhuma vez à Vila neste ano para ver o time jogar. Porém, faz questão de ir ao Pacaembu. "Como o Santos não joga sempre em São Paulo, a torcida apoia mais o time no Pacaembu. Há muitos santistas que moram na capital", defende.

Na quinta, contra o Vasco, o Santos levou ao estádio em São Paulo 12,9 mil pagantes, número formado por alguns torcedores que só começaram a se fazer mais presentes neste ano. "Nunca fui à Vila, mas agora tento vir sempre ao Pacaembu e trazer a família", disse o carregador Antônio Pedroso, de 44 anos, de Guarulhos.

 

 

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