Corintianos ganham ídolo "diferente"

Novo ídolo da Fiel, artilheiro do Corinthians no Campeonato Paulista, com nove gols, e grande esperança dos torcedores para o clássico de domingo, contra o Santos, Ewerthon é o oposto do protótipo do jogador de hoje. Embora esteja em início de carreira e seja um menino, conforme diz o técnico Wanderley Luxemburgo, já fala como gente grande, não gosta de usar o futebolês como língua principal e, apesar de tímido, demonstra muita personalidade. Quando é perguntado se espelhou-se em alguém no início da carreira, não tem vergonha de dar uma resposta no mínimo diferente. "Não, é difícil dizer isso, eu sempre gostei do Viola, mas temos características diferentes." Sobre a vida particular, pouco fala. "Às vezes, algumas pessoas invadem demais a nossa privacidade." Da última vez em que foi perguntado se tinha namorada, rebateu: "Namoro a bola". Na realidade, ele tem namorada, mas não quer vê-la na televisão ou em páginas dos jornais. "E se acontece de terminarmos o namoro? Não seria legal." Este é Ewerthon Henrique de Souza, 19 anos, que cresceu na capital paulista, começou a praticar futebol aos quatro anos e, depois de um difícil em 2000, conquistou espaço no segundo clube mais popular do País. "Apesar da fase difícil por que passamos no fim do ano passado, tive minha primeira chance e marquei alguns gols." Hoje, ele se diz feliz com o momento que vive, mas faz questão de lembrar que não pode se deixar levar pela euforia. As especulações que surgem, principalmente por meio de empresários, de que Milan e Barcelona estariam interessados no corintiano, não mexem com sua cabeça, segundo ele mesmo garante. Preocupam, no entanto, dirigentes e o próprio Wanderley Luxemburgo, que tratou de conversar com o garoto para que não se perturbasse na reta final do campeonato. "Soube pela imprensa, mas não dou ênfase a coisas que não são reais, porque ninguém de nenhum outro clube conversou comigo ou com a diretoria." O sucesso do "Cara de Barata", apelido dado pelos companheiros, mas que ele não suporta, deve-se, além do talento, à estrutura familiar. Seu pai, Jorge, sempre batalhou para dar à jovem revelação corintiana e aos outros dois filhos, Wellington e Carolina, boas condições de vida. "Nunca me faltou nada, meus pais sempre foram muito bons conosco." Tanto que Ewerthon conseguiu estudar até o 2.º Colegial. Não concluiu os estudos por falta de tempo, mas garante que, depois de pendurar as chuteiras, vai fazer faculdade. A mãe, Cida, é dona-de-casa e o pai tem um "salão", onde é cabeleireiro. A família tem uma vida estável financeiramente, mas não pode se dar o luxo de fazer regalias. A casa em que moram na capital acolhe bem os cinco, embora seja um pouco apertada. Por isso, o atacante corintiano sonha poder dar uma nova moradia a seus pais. "Estou guardando dinheiro para comprar uma casa maior." Neste ano, o jogador vem conseguindo fazer uma boa poupança, principalmente depois das dez vitórias consecutivas do time. O clube paga R$ 1.500,00 por cada triunfo no Campeonato Paulista, além do prêmio pela classificação. O salário também ajuda, embora ainda esteja longe do dos jogadores mais badalados - não passa de R$ 8 mil. Sua preocupação é saber usar bem o dinheiro e não fazer excessos. "Meu pai é o conselheiro", conta. O procurador, Juan Figer, procura não dar muito palpite. O sonho de retornar à seleção principal permanece vivo, mas a maior alegria pode "chegar" nas próximas semanas, com a conquista do primeiro título como profissional, o Paulista. Para isso, precisará, primeiro, passar pelo Santos, em pleno Dia das Mães. E quem pensa que ele promete uma comemoração especial para dona Cida engana-se. "Jamais prometo gols ou ensaio comemoração." O presente chegará um pouco atrasado. "Só vou ter tempo de comprar na semana que vem." Isso porque o único alvo que está na mira do Corinthians no momento é o adversário de domingo.

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