Corintianos pagam dívida para torcida

O título da Copa do Brasil estava engasgado na garganta dos jogadores do Corinthians. A forma como eles comemoraram a conquista, indo de encontro à torcida, foi um gesto tão natural quanto emocionante. Só o capitão Ricardinho, visivelmente desgastado por uma gripe que o persegue há uma semana, preferiu ir caminhando. Mas estava tão feliz e emocionado quanto os seus companheiros. "Foi emocionante. Essa equipe trabalhou muito para chegar até aqui. Esse grupo merece ser campeão." A festa no pódio também teve o mesmo tom. A comemoração foi muito maior do que no domingo passado, quando o time conquistou o Rio-São Paulo em cima do São Paulo. Antes da conquista desta quarta-feira, os jogadores não podiam falar que a Copa do Brasil era a prioridade no Parque São Jorge. Com o título assegurado, ninguém mais precisava esconder. "Desde o ano passado eu queria ganhar a Copa do Brasil pelo Corinthians. Eu tinha essa dívida com a torcida por tudo o que tive de carinho aqui", enfatizava o lateral Rogério. A volta olímpica foi uma festa à parte. Alguns jogadores deram duas voltas. Vampeta participou só de uma, mas estava tão emocionado quanto qualquer outro. "No Corinthians é sempre assim: tudo é muito difícil. Mas não tem problema não. Ganhar no sofrimento é mais gostoso. O importante é que a Copa do Brasil é nossa e o Corinthians está na Libertadores de novo. Vamos retomar o nosso caminho rumo a um título inédito: o sul-americano." O volante corintiano ainda explicou que só saiu de campo na metade do segundo tempo porque estava muito cansado. "Engraçado: não sou de ficar doente, mas nessas duas finais - a do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil - joguei doente. Peguei uma virose, tive problemas de garganta, mas consegui me superar e ajudei a equipe a conquistar esse título." Para o zagueiro Fábio Luciano, conquistar a Copa do Brasil significou, entre outras coisas, a sua redenção definitiva no Corinthians. "Depois de tudo o que passei, tenho mais que comemorar. E faço questão de reverenciar um homem fantástico: o técnico Carlos Alberto Parreira, que além de um grande técnico, também me apoiou no momento em que eu mais precisei." Quanto às dificuldades enfrentadas pelo Corinthians, em Taguatinga, Fábio Luciano já esperava. "Só quem não entende de futebol poderia acreditar numa vitória por 3 a 0, por 4 a 0. O Brasiliense é uma grande equipe e valorizou a nossa conquista. Desde o jogo do Morumbi nós sabíamos que não seria fácil sair daqui com o título." Homenagens - Com a conquista da Copa do Brasil, o Corinthians decidiu que fará uma homenagem a dois jogadores, em especial. Deivid, por ter feito 13 gols na competição, e Ricardinho, como o símbolo maior da conquista. "Eles merecem esse reconhecimento", anunciou o vice-presidente de futebol Antonio Roque Citadini. Tão eufórico quanto os jogadores, mas um pouco mais contido em suas declarações, o técnico Carlos Alberto Parreira repetiu a homenagem feita no domingo passado, após a conquista do Rio-São Paulo: dividiu os méritos do título com todas as pessoas que trabalharam para isso. "O Corinthians é um grupo de trabalho. Se não fosse assim, não seria um vencedor." A comemoração do título, que começou nesta quarta-feira, já no Estádio Elmo Serejo, deve continuar nesta quinta-feira, na chegada a São Paulo. Como de hábito, a delegação seguirá do aeroporto de Congonhas direto para o Parque São Jorge. A diretoria vai abrir as portas do clube para a torcida. Lá, os jogadores darão a volta olímpica com a taça e depois serão dispensados. Um jantar comemorativo está planejado, mas só após a disputa do supercampeonato paulista. O Corinthians estréia no domingo, contra o Ituano, em Itu, sem o técnico Carlos Alberto Parreira, que durante a Copa do Mundo funcionará como observador da Fifa na Copa do Mundo. Jairo Leal vai comandar o time no supercampeonato paulista e na Copa dos Campeões, em julho.

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