Raphael Ramos/Estadão
Raphael Ramos/Estadão

Corintianos se revoltam com adiamento de reconstituição: 'É palhaçada'

Presos afirmam que justiça boliviana é lenta e que não está se empenhando no caso

Raphael Ramos, enviado especial, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2013 | 08h30

ORURO - Foi adiada para o próximo dia 17 a reconstituição da morte do garoto Kevin Espada, de 14 anos, que os 12

Fábio Neves Domingos, presidente da Pavilhão Nove, também demonstrou inconformismo. “Somos inocentes! Fomos sequestrados!”, gritava. Ele foi contido por Hugo Nonato, também da organizada. “Não fica falando essas coisas que isso pode prejudicar a gente.”

Ao Estado, que visitou os corintianos na penitenciária no domingo, os presos disseram que a reconstituição de ontem seria a oportunidade de eles darem sua versão do crime e esclarecer dúvidas da polícia boliviana para conseguir, ao menos, a prisão domiciliar – uma casa já foi alugada pela Gaviões da Fiel em Cochabamba. Cinco deles, inclusive, alegam que nem estavam dentro do estádio no momento do disparo do sinalizador, aos cinco minutos do primeiro tempo, logo após o gol de Guerrero.

Toda a estrutura para a reconstituição foi montada ontem. Algemados em duplas, os 12 corintianos deixaram a penitenciária em dois caminhões abertos e foram encaminhados à sede do Ministério Público, no centro da cidade. Depois, foram levados ao estádio. Lá, esperaram duas horas no setor localizado abaixo da arquibancada onde Kevin morreu até serem informados de que a reconstituição fora adiada.

Enquanto aguardavam uma decisão, eles conversavam sobre o procedimento. O Estado ouviu um deles dizer: “É para falar que as nossas mochilas estavam no ônibus.” A polícia de Oruro encontrou com os corintianos uma mochila com sinalizadores com o mesmo número de série do artefato que matou Kevin.

Na contramão

Ao contrário de seus clientes, Sérgio Marques, advogado brasileiro que também atua na defesa dos corintianos, comemorou o adiamento. Desde o início da tarde, ele tentava evitar a ida dos presos ao estádio por entender que antes disso haveria outras etapas do processo a serem cumpridas.

Ele pretende requerer que o menor que prestou depoimento na Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos como autor do disparo do sinalizador se apresente à Justiça boliviana. Se o garoto não vier à Bolívia (o que é muito provável que aconteça), Marques vai solicitar que ele preste depoimento na Embaixada da Bolívia no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.