Coritiba busca valorizar sua imagem

Além da tentativa de passar pelo São Paulo e de sonhar com a conquista da Copa dos Campeões - título que vale uma vaga na Copa Libertadores da América de 2002 -, o Coritiba tem feito de sua passagem pelo nordeste brasileiro um verdadeiro exercício coletivo de marketing. Decidido a transformar a marca do clube numa mercadoria extremamente valorizada, o Departamento de Marketing tem investido pesado na imagem da marca Coritiba junto à opinião pública. O desafio é fazer do Coritiba um clube conhecido nacionalmente.Nos dois jogos contra o Corinthians, os resultados ficaram acima das expectativas. Apesar da enorme popularidade do time de Wanderley Luxemburgo, o Coritiba teve a seu favor 80% da preferência do público. Mesmo levando-se em consideração que parte dos torcedores era formado por são-paulinos, a preferência pelos paranaenses se confirmou também fora do estádio."Isso não é surpresa para nós", atesta o experiente Evair. "O Coritiba é isso mesmo: respeita o torcedor, respeita os seus jogadores, respeita o cidadão que assiste aos seus jogos. Talvez o segredo do nosso sucesso esteja diretamente ligado à forma como nos relacionamos com o torcedor."A tática para conquistar o torcedor é simples. Os dirigentes do clube chegaram à conclusão de que é preciso respeitar a torcida para ser respeitado. E passaram a tratar o torcedor com o respeito e a consideração que ele, torcedor, imagina que merece. Até mesmo o torcedor que não é do Coritiba pode ganhar flâmulas, bonés, chaveiros e camisas oficiais. "Não se trata apenas de um agrado. O torcedor fica feliz por ser recebido com atenção, com respeito. A camisa, o chaveiro, enfim, a lembrança, são apenas um detalhe a mais", lembra o coordenador de administrador da marca, Horácio Coutinho, de apenas 23 anos. "Nós entendemos que o torcedor é o nosso cliente. Como o Coritiba, hoje, é uma empresa que mexe com a paixão, nós trabalhamos para manter sempre o torcedor ao nosso lado."A preocupação maior do Coritiba é com as crianças de 8 a 12 anos. Em Curitiba, por exemplo, o clube abre semanalmente as suas portas para crianças carentes que estudam em escolas públicas. Em dias de jogos, 20 dessas crianças são selecionadas e entram como mascotes do time. Há também um trabalho de filantropia paralelo. De 15 em 15 dias, jogadores do elenco se revezam como autênticos voluntários à causa da criança. Visitam hospitais, distribuem lembranças do clube e esbanjam carinho. "É compensador ver uma criança com câncer sorrir", emociona-se o atacante Mabília.Esse tipo de preocupação com a sociedade vai render ao Coritiba um reconhecimento internacional da ONU. No dia 12 de outubro, dia da Criança, o clube paranaense deve receber o certificado Iso 9002 - inédito para uma equipe de futebol brasileira. "As pessoas ainda não sabem, mas o Coritiba se transformou em referência para a ONU", orgulha-se Horácio Coutinho. "Paralelamente a isso, já fomos indicados também para receber o prêmio qualidade Brasil. Sinal de que estamos no caminho certo."O relacionamento com os seus funcionários não é diferente. Jogador ou não, quem trabalha no Coritiba trabalha feliz. Tem respeito e recebe em dia. Dentro das quatro linhas, principalmente, a harmonia é ainda maior. A relação entre o técnico Ivo Wortmann e os atletas é quase a de uma família. Não por acaso, o time se transformou numa das sensações da Copa do Brasil, competição em que terminou em terceiro lugar. E na Copa dos Campeões está surpreendendo de novo: depois de eliminar o Corinthians com duas vitórias em dois jogos, o próximo objetivo é repetir a façanha também contra o São Paulo, a partir deste sábado, na partida em João Pessoa.

Agencia Estado,

29 de junho de 2001 | 18h31

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