Coritiba promete processar Vasco

A diretoria do Coritiba anunciou nesta sexta-feira que tomará todas as medidas criminais, cíveis e desportivas possíveis contra o Vasco, para que as circunstâncias sobre a violência sofrida pelos jogadores e pelo presidente Giovani Gionédis no estádio de São Januário, na noite de quinta, sejam esclarecidas e os culpados devidamente punidos. O clube paranaense só não irá questionar o resultado da partida, vencida pelos cariocas por 2 a 1. "Os pontos ganham-se no gramado", afirmou Giovani Gionédis.Ainda na noite de quinta-feira, jogadores e diretores do Coritiba estiveram na Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde foi registrado um boletim de ocorrência. Seis atletas, que ficaram mais machucados, e o presidente do clube foram encaminhados para o Instituto Médico Legal para fazer exames de lesões corporais. Gionédis levou um chute no rosto e sofreu escoriações pelo corpo.O clube também vai ingressar com representação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), para onde serão enviadas cópias do boletim registrado na polícia e imagens da agressão. Gionédis aguarda uma possível gravação que teria sido feita por um cinegrafista amador. Ele telefonou nesta sexta ao Coritiba dizendo que possui a fita e a encaminharia aos dirigentes paranaenses.Além disso, está sendo acionado o Ministério Público para que seja apresentada denúncia contra o Vasco por descumprimento do artigo 19 do Estatuto do Torcedor, que trata da segurança. Segundo Gionédis, só havia um segurança do clube carioca no vestiário do time visitante. "Os portões foram abertos e os torcedores invadiram o vestiário", relatou o presidente do Coritiba. O Estatuto prevê inclusive a suspensão de dirigentes, caso o descumprimento seja confirmado.O presidente do Coritiba prepara ainda ação cível por danos morais contra o Vasco, solicitando indenização. Todas as informações coletadas serão enviadas ao ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, pedindo providências. Outra reclamação dos dirigentes e jogadores paranaenses é quando a falta de policiamento no estádio. Logo depois da partida, os PMs teriam ido embora. "Não queremos que atos como esse aconteçam novamente", disse Gionédis.Os relatos do presidente e dos jogadores são de que a torcida começou a insultar o goleiro Fernando e o meia Jackson ainda no gramado. Eles teriam respondido aos insultos e houve ameaça de que seriam agredidos fora do estádio. Todos refutaram as acusações de que teria sido mostrada uma camisa do Flamengo para os torcedores. "Eu não tinha essa camisa", garantiu Jackson. "De uma hora para outra, (os torcedores) entraram no ônibus e não teve mais jeito", contou o meia.Alguns jogadores que já estavam no ônibus foram encurralados e apanharam. Avisado pelo goleiro reserva Douglas, o presidente do Coritiba foi tentar apaziguar os ânimos e também apanhou.Segundo Gionédis, os torcedores conseguiram chegar ao vestiário e pelo menos dois jogadores foram agredidos lá. "Tive medo, muito medo, temi pela vida", confessou o atacante Gelson, que estava no ônibus.Desculpas - Na tarde desta sexta-feira, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, enviou ofício ao presidente do Coritiba pedindo "sinceras desculpas" e hipotecando "total solidariedade" ao clube, aos jogadores e à torcida. "Lamentamos profundamente que incidentes desse tipo ainda se façam presentes no nosso futebol", registrou o documento. "Devemos ressaltar que fatos dessa natureza, além de evidentemente ocorrerem independentemente da nossa vontade, fogem completamente ao controle que podemos sobre os mesmos exercer, visto que, apesar de termos adotado todas as providências legais e necessárias para evitá-los e, sobretudo, para assegurar aos co-irmãos que nos visitam total segurança e tranqüilidade, prevaleceu a irresponsabilidade de alguns envolvidos nesse lamentável fato, cabendo ressaltar que o policiamento requisitado havia se retirado do estádio", defendeu-se Eurico Miranda no ofício.

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