Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Paralisação do futebol obriga 13 clubes da Série A a negociar redução salarial de atletas nas férias

Para eliminar despesas, dirigentes vão propor redução nos vencimentos de jogadores; negociação começa na próxima semana

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2020 | 15h00

As férias coletivas dos 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro começaram na última quarta-feira. Várias equipes vão utilizar o período para negociar com os elencos reduções salariais por causa da paralisação do futebol em função da pandemia do novo coronavírus. Da elite nacional, três clubes definiram que não haverá nenhuma diminuição nos vencimentos (Coritiba, Flamengo, Red Bull Bragantino) e outros quatro já acordaram com os jogadores algum tipo de desconto (Atlético-MG, Ceará, Fortaleza e Grêmio).

O período de férias coletivas de 20 dias foi um acordo nacional estabelecido semana passada entre a Comissão Nacional de Clubes (CNC) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). As duas entidades deixaram de lado as tentativas de definir uma redução salarial única para a categoria e deixaram a cargo das equipes cuidarem individualmente dessa questão.

A discussão teve início após a pandemia forçar a suspensão do calendário de competições. Os clubes alegam que terão grandes prejuízos nesse período pela falta de receitas com bilheteria, cotas de televisão, programas de sócio-torcedor e contratos com patrocinadores, além do dinheiro ganho em vendas de produtos durante os 90 minutos de uma partida. As diretorias têm buscado acordos para adiar as parcelas de pagamento de divídas e contam com alguns auxílios também. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), por exemplo, permitiu que os participantes da Copa Libertadores e da Sul-Americana recebessem antecipadamente até 60% do prêmio de participação, mesmo sem jogar. 

Apesar de 13 clubes ainda não terem uma decisão final sobre a redução salarial, vários deles estão com definições encaminhadas. O Palmeiras quer manter os salários, mas antes fará um estudo de viabilidade econômica. O Botafogo e Santos já sinalizaram que não pretendem fazer reduções. Por outro lado, times como Bahia, Inter, São Paulo e Sport vão manter conversas com os atletas para tentar diminuir as despesas da folha salarial.  

O primeiro time a ter fechado o planejamento para o período de pandemia foi o Fortaleza, de Rogério Ceni. Os jogadores aceitaram redução de até 25%. "Quando surgiu o problema da pandemia, a gente teve preocupação de com o clube se sustentaria e manteria a estrutura", disse o presidente do time, Marcelo Paz. A alteração nos vencimentos se estendeu também a gerentes e diretores executivos.

O Grêmio propôs uma alteração diferente. Os vencimentos mensais previstos na carteira de trabalho estarão mantidos. A mudança será no pagamento de direitos de imagem, que estarão suspensos durante a paralisação. Os valores pendentes serão pagos em 2021. "O clube reajustou seu quadro de pessoal, fez serviços a domicílio, trabalhou a ideia de férias e organizou uma série de situações funcionais que são relevantes, junto com seus jogadores, com sua comissão técnica, com todos aqueles que prestam serviço", disse o presidente do Grêmio Romildo Bolzan.

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Minha obrigação como mandatário do Atlético e gestor responsável que sou é tomar todas as medidas necessárias para a sobrevivência do clube
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Sérgio Sette Camara, presidente do Atlético-MG

Já o Atlético-MG terá uma redução ampla de salários para todo o quadro de funcionários. Só quem ganha até R$ 5 mil não terá alteração. Os demais sofrerão corte de 25%. O presidente do clube, Sérgio Sette Câmara, adiantou ainda que deve fazer algumas demissões de funcionários para diminuir despesas. "Minha obrigação como mandatário do Atlético e gestor responsável que sou é tomar todas as medidas necessárias para a sobrevivência do clube, tendo em mente não prejudicar a grande maioria dos trabalhadores e colaboradores", tem repetido o cartola.

SALÁRIOS MANTIDOS

Além de Red Bull Bragantino e Flamengo, o Coritiba é outro clube a ter anunciado até agora a manutenção da folha de pagamento. Porém, a decisão pode sofrer ajuste caso a equipe fique sem dinheiro. "Nós já definimos que não haverá redução de salários. Os atletas receberão os seu salário integralmente. O Coritiba não vai pagar apenas CLT, mas a imagem também. O que nós vamos negociar com os atletas é apenas alguns prazos diferentes para pagamentos, se forem necessários dentro do nosso fluxo de caixa", disse o presidente do Coritiba, Samir Namur.

 

Confira a situação dos clubes

Athletico-PR

Com o elenco liberado por tempo indeterminado, equipe estuda como realizar uma redução salarial.

Atlético-GO

Clube vai avaliar futuramente como vai proceder com a negociação dos salários. As conversas envolvem também o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de Goiás (Sinapego).

Atlético-MG

Vai reduzir 25% dos salários dos jogadores, comissão técnica e diretoria pelo período que perdurar os efeitos da pandemia.

Bahia

Plano é oferecer uma redução, mas haverá uma conversa com o elenco na próxima semana para definir o valor. 

Botafogo

Diretoria não pretende reduzir salários.

Ceará

Vai distribuir parte dos vencimentos referentes a abril e maio nos meses seguintes.

Coritiba

Vai manter os salários.

Corinthians

Diretoria avalia possíveis mudanças.

Flamengo

Clube entende que pode absorver os impactos financeiros da paralisação e vai manter os salários normalmente.

Fluminense

Diretores e gerentes reduziram os salários em 15%, mas a negociação sobre os pagamentos ao elenco ainda não está definida.

Fortaleza

A diretoria estabeleceu que 25% do salário referente ao mês de março só será pago após a crise passar. Sobre o mês de abril, os atletas abriram mão definitivamente de 10% dos vencimentos e outros 15% só serão recebidos depois da paralisação terminar. Dirigentes executivos remunerados também vão enfrentar reajuste, ao receber 15% menos dos salários de abril.

Grêmio

Acordou com o elenco que os direitos de imagem dos período sem jogos será pago somente em 2021.

Goiás

Assim como o Atlético-GO, conversa com o sindicato local para definir como ficará a negociação salarial.

Internacional

Diretoria vai debater com o elenco durante as férias para avaliar possível redução.

Red Bull Bragantino

Vai pagar os salários integrais durante o período

Palmeiras

Clube vai fazer estudo financeiro durante abril para avaliar a capacidade de manter os salários. O plano é nao fazer redução.

Santos

Diretoria se compromete a pagar as férias até o quinto dia de maio e pode parcelar os valores. Uma possível redução salarial ainda será discutida, mas o interesse é manter os valores.

São Paulo

Diretoria vai conversar com o elenco sobre o assunto. A primeira proposta foi de redução de 50% dos salários, oferta que foi recusada.

Sport

Vai realizar reuniões com os jogadores nos próximos dias para definir o que fazer.

Vasco

Depende de conversas com o elenco para resolver a redução salarial.

 

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